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Mega viagem 2º dia

Publicado por Catarina Serrano — há 2 anos

0 Etiquetas: Experiências Erasmus Copenhaga, Copenhaga, Dinamarca


27/12/17


O dia 27 começou cedo, às 7 da manhã comecei a preparar-me para partir na aventura da descoberta de Copenhaga. Às 8 da manhã saí do hostel e ainda estava escuro, seria de esperar que num país onde escurece às 4 da tarde, a luz do dia aparecesse mais cedo, mas não, a luz começou a aparecer quase às 9 horas, ou seja, isso dá um total de 7 horas de luz por dia. Eu deprimia se vivesse nestes países sem luz. 
Comecei por ir ao "Det kgl teater", não entrei lá dentro, acho que só está aberto ao público quando há algum espectáculo agendado, só fui com o intuito de o fotografar. 

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A seguir caminhei até ao Christianborg palace, mais uma vez com o intuito apenas de o fotografar, pois a entrada era muito cara para o meu bolso.

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O holmens kirk era ao lado e aproveitei para fotografar também só por fora, porque assim como o monumento anterior, também era muito caro para mim, basicamente tudo é caro nesta cidade. 

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Como pobre que sou, pesquisei na Internet quais eram os museus com entrada grátis, sorte a minha que dia 27 era quarta, pois havia vários museus grátis nesse dia de semana, o único problema é que só abriam às nove, então tive que alterar toda a minha rota e andar às voltas, ou seja, passava por um museu, só que como estava fechado, tinha que ir a um outro monumento mais à frente, um que só quisesse fotografar, e depois voltar para trás para ir ao museu. 
Apesar de todas estas voltas, tive sorte pois na cidade de Copenhaga está tudo perto e aglomerado na mesma zona. 
Queria ir visitar a biblioteca Black diamond, mas por fora parecia-me apenas um edifício com escritórios e não vi nenhum turista lá dentro, também era cedo, eram umas 9 horas. Não quis fazer figura de ridícula ao ir lá perguntar, então não entrei e fiquei do lado de fora a fazer sessão fotográfica com a Carolina, para gastar tempo até o museu, onde queríamos ir, abrir. Estava tanto frio, não sei como é que os meus dedos não caíram, toda a minha cara estava inchada e vermelha com o frio, parecia um tomate. 

As 10 horas chegaram e fomos até ao museu thorvaldsens. É, basicamente, um museu com todas as obras criadas pelo escultor thorvaldsen, a sua coleção de quadros e antiguidades. As esculturas que ele criou foram de grandes personagens históricas, de mitologia clássica, havia, inclusive, uma ala com esculturas de Cristo e os seus apóstolos. 

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Demorámos imenso tempo no museu a ver todas as esculturas e a história por detrás delas, por isso assim que saímos eu tinha que comer, não conseguia ir ver mais nada sem antes tirar a barriga da miséria e onde é que se vai comer quando tudo é caro? McDonald's é a resposta. 
Lá, enquanto comíamos, um senhor pediu para se sentar na nossa mesa, visto que aquilo estava apinhado, não havia uma única mesa livre e de seguida começou a conversar connosco, pois ouviu-nos a falar e perguntou se éramos portuguesas, ele soube porque já tinha estado no Brasil. Esteve a contar-nos a viagem dele ao Brasil e a dar-nos dicas de locais para visitarmos em Copenhaga e estava para ficar à conversa durante muito tempo, tive que o despachar, porque aqui fica de noite às 16 horas e ainda tinha muitos locais para ir ver. 
Após o almoço fomos ao St. Nikolaj Contemporary art centre, que de aparência é uma igreja, mas por dentro é uma galeria de arte contemporânea. Nunca tinha visto arte contemporânea ao vivo e fiquei sem palavras. 
Havia triângulos no chão com entulho lá dentro, um deitava fumo, inclusivamente. Havia uma corda no chão, dois paus ao lado e um cacto do outro. Uma televisão com um homem a gritar e uma televisão por cima dessa com um olho. Uma mesa cheia de cactos e uma varinha de brincar espetada no vaso de um deles, assim como correntes à volta. 

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E pensar que há pessoas que pagam para ver aquilo e não é barato, são quase 10 euros. 
Deve haver uma explicação, um sentido para aquela disposição de objetos, só que eu não encontrei, se algum dia a minha mãe me disser que tenho o quarto desarrumado, eu vou-lhe responder que é arte contemporânea. 
Depois da paragem emocionante pela arte contemporânea, seguimos caminho até "our saviour's church", que era mais um local só para ver por fora, pois para mim era demasiado o preço e ainda por cima a torre, que era a parte mais gira, estava fechada durante o inverno, tirei a minha foto e prossegui caminho até ao próximo museu. 

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Era para irmos a "the north atlantic house", era... Chegámos ao suposto edifício e não encontrámos a entrada, o sitio onde era a entrada parecia uma loja de roupa e eu achei aquilo muito estranho, o museu nem parecia nada de especial na Internet, só queria ir por ser grátis, portanto abortei missão. 
Havia agora um problema, eram 15 horas e os próximos dois locais aos quais queria ir só eram grátis à quarta, a partir das 17 horas, ainda tentei fazer tempo ao obrigar a Carolina a fazer-me uma sessão fotográfica na ponte, só que a sessão não durou mais do que 20 minutos, concluído isso fomos para a porta do museu sentarmo-nos num banco, ao frio. 

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Estava a morrer congelada quando começa a chover, a meteorologia traiu-me, pois eu tinha verificado o tempo antes e não tinha visto informação nenhuma acerca de chuva. Faltava uma hora ainda para as 17 horas e a Carolina queria ficar à chuva, sentada no banco, à espera para podermos entrar na galeria "kunsthal charlottenborg" . Nem pensar, tinha o hostel a 5 minutos, não ia ficar ali a apanhar chuva, só se fosse louca e quisesse apanhar uma pneumonia. 
As 17 horas aproximaram-se e fomos finalmente para a galeria sem pagar nada. Aprendi uma coisa nessa galeria, o John Lenon e a Yoco fumavam substâncias muito pesadas.
No início da galeria estava uma árvore dos desejos, a última vez que tinha deixado um papel numa tinha 18 anos. Voltei a deixar um papel com um novo desejo. 

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Estavam a decorrer quatro exposições, uma continha as obras de uma senhora que tinha passado a vida inteira internada num hospital psiquiátrico. A senhora tinha jeito, foi a exposição que mais gostei. 

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A segunda exposição era acerca do meio ambiente e as transformações que ele estava a sofrer.

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A terceira exposição tinha todas as obras feitas ao longo da vida da Yoco Ono e, como já tinha dito antes, ela fumava substâncias ilícitas, conclui isso quando comecei a ler alguns dos vários poemas escritos por ela que lá estavam expostos. Só para dar alguns exemplos do que li, um dos poemas dizia "desenha uma linha. Apaga a linha", "caminha à volta da cidade com uma mala vazia", "quero cheirar o cheiro da lua". Podia continuar a dar exemplos, mas acho que já marquei o ponto onde queria chegar. 

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A quarta exposição era sobre o ativismo, basicamente eram dois carros barricados, cheios de tudo o que possam imaginar à volta, acho que simbolizava o ativismo dos cidadãos que não estavam de acordo com o regime político em que se encontravam e o queriam alterar. 

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Para além das exposições, havia uma mini sala de cinema que exibia filmes de meia hora. Fomos ver um filme que estava a acabar de começar, o início foi uma mosca na pele de uma pessoa e um barulho de fundo feito por uma outra pessoa, mas era um barulho muito estranho, eram gritos agudos intercalados com gemidos. 
Na minha inocência, achei que se ia desenrolar alguma história, mas não, o filme foi a mosca a percorrer o corpo nu de uma mulher que não se depilava há um ano e sempre com o barulho de fundo que descrevi anteriormente. 
Todas as pessoas que começaram a ver o filme, quando nós começámos, abandonaram a sala, nós fomos as únicas que ficaram até ao fim, eu só queria saber como é que ia acabar e foi uma desilusão. Agora tentem adivinhar quem realizou o filme. Foi a Yoco Ono e o John Lenon. 
Depois de sair da mini sala de cinema e pensar para mim própria no que é que eu tinha acabado de ver e no tempo de vida que tinha gasto e não iria voltar, o próximo plano era ir visitar o "Danish architecture centre", no entanto tive que abortar missão, pois estava a chover e muito frio. 
O dia acabou assim, a noite estava prestes a começar. 
Como a comida é toda absurdamente cara, o meu jantar foi leite de soja com cereais, podia ter comprado massa e atum para cozinhar, mas a inútil da recepcionista nem sequer foi capaz de nos mostrar o hostel e dizer onde é que as divisões se encontravam, por isso achámos que não havia cozinha, só a descobrimos à noite e à hora que foi já estávamos de pijama, não íamos voltar a sair para ir comprar o que quer que fosse. 
Quando estava na cama, prestes a adormecer, começo a ouvir sons de saliva e ligeiros gemidos debaixo do meu beliche, foi uma reconstrução do momento em que a Glutina levou para o nosso quarto da residência na Roménia o outro rapaz, enquanto estávamos lá. 
Assim que acabaram esses sons, chegam umas espanholas à meia noite a cantar e a falar super alto. 
Toda esta estadia neste hostel está a ser uma reconstrução dos momentos negros que passei na minha residência em Iasi.
Faltavam agora 31 dias para voltar a Portugal.


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