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Viagens Erasmus: Lapónia finlandesa (1ª Parte)!

Durante a minha estadia como estudante Erasmus em Turku tive a oportunidade de realizar apenas uma viagem. É verdade que gostaria de ter tido a oportunidade de ter feito muitas mais, já que cidades como São Petersburgo ou Estocolmo estão a uma pequena distância, comparando com as distâncias das cidades espanholas entre si. Porém, não me arrependo nada de apenas ter feito uma viagem, cujo destino foi a Lapónia, já que foi tão caro como ter feito uma viagem a São Petersburgo e a Estocolmo, mas pareceu-me uma oportunidade inigualável para poder descobrir a verdadeira Finlândia.

Muito provavelmente uma viagem irrepetível, na qual pude percorrer a Finlândia de norte a sul de autocarro, até cheguei a ir à fronteira com a Noruega. Uma viagem a Estocolmo ou à Rússia pode ser feita a qualquer momento, mas percorrer a Finlândia é uma experiência que, se se tiver a oportunidade de a fazer, não se pode deixar escapar.

Durante esta série de artigos, aproveitando as férias de Natal, vou falar-vos de como foi esta viagem de maratona, onde tive a oportunidade de desfrutar de quatro dias na zona geográfica mais setentrional do planeta em que tive até hoje o luxo de visitar.

Preparativos e viagem:

Esta viagem, igualmente a muitas outras, foi organizada pela ESN de Turku, que contactou com a empresa Timetravels, e esta ficou responsável pelo alojamento, pelas atividades e pela pessoa que iria ser o guia da viagem.

Para poder realizar esta viagem apenas é necessário inscreveres-te na página da ESN de Turku, assim que o prazo de inscrição estiver aberto. Os lugares disponíveis para esta viagem são bastantes, mas o melhor é inscreveres-te o mais depressa possível, para evitar problemas. No entanto a ESN realiza duas vezes por semestre a possibilidade de viajar à Lapónia, sendo que uma se realiza durante as últimas semanas de novembro e a outra durante as primeiras semanas de dezembro.

Neste momento deverá realizar-se o pagamento e escolher as atividades que queres realizar durante a tua estadia na Lapónia. A viagem, sem contar com as atividades, custa aproximadamente 350 euros. Mas quando se selecionam as atividades que queres fazer os preços podem chegar a superar os 500 euros, algo que era demasiado caro para mim, assim que tive de selecionar as atividades que queria mesmo fazer. As atividades possíveis de serem realizadas eram: rota de esqui, com a possibilidade de num outro dia visitar um SPA; andar com sapatos para a neve, que tinha o jantar incluído; visitar uma fazenda de renas, gerida por locais e que depois nos davam a provar salsichas típicas; uma viagem de trenó puxado por huskies; conduzir uma mota de neve ou visitar uma aldeia da Noruega onde dava para nadar no Oceano Ártico depois de ir a uma sauna.

Eu apenas escolhi três: a rota de esqui, já que até ao momento não tinha tido a oportunidade de experimentar e queria ver como era (um grande erro); o passeio com sapatos para a neve, e a viagem até à Noruega. Sem dúvida o que deu mais pena de não ter feito foi o trenó puxados por huskies, mas o preço fez com que o meu encanto por essa atividade me passa-se, e pensei que as outras opções para além de mais económicas poderiam também ser mais divertidas.

No total a minha viagem ficou em 400 euros, bastante razoável se tivermos em conta o que poderia ter custado se tivesse feito a viagem por conta própria. O alojamento desta viagem era em cabanas de madeira totalmente equipadas, a viagem de autocarro desde Turku até à cidade de Saariselkä, situada a escassos quilómetros de Rovaniemi, onde se realiza uma visita rápida no primeiro dia, e depois, é onde se vai para ver o Pai Natal. Tudo isto sem contar com o gasto que tive de fazer em roupa própria para viajar até ali, já que em Turku o frio em novembro e dezembro dá para aguentar com roupas de inverno. Mas quando começas a ir mais para norte e vês que os termómetros marcam -15ºC torna-se mais difícil, pelo menos para nós os Espanhóis que estamos acostumados a ter -5ºC nos nossos invernos.

Para isso tive de comprar umas boas meias, umas boas luvas, um gorro (porque tinha perdido o que tinha antes) e um casaco para que de verdade dê-se para me proteger do frio, já que não tinha trazido nada tão quente de Espanha. Tive sorte, porque encontrei um casaco numa loja em segunda mão, um bastante aceitável da marca JackJones, e custou-me apenas 20 euros, o que fez com que o custo da minha viagem à Lapónia se reduzisse bastante. O tema da roupa na Finlândia, a nível geral, já mencionei numa publicação anterior, na qual, concretamente, falo sobre roupa que tive de levar para a Finlândia e a que tive de comprar ali.

Uma semana antes da viagem, os organizadores colocaram uma folha de inscrição online, na página da Timetravels para que todas as pessoas pudessem colocar o seu nome, por grupos, para decidirem em que cabana queriam ficar. Isto foi feito totalmente às cegas, as cabanas variam de acordo com o número de pessoas que podem alojar no seu interior, mas ninguém sabia, na realidade, como eram as cabanas.

Apenas posso dizer-vos que algumas cabanas parecem melhores do que outras, mas não passa mais do que ter sorte e colocar o nome na lista que mencionei. O objetivo deste método é para que possas colocar o teu nome juntamente com o dos teus amigos, para que possam todos conviver na mesma cabana durante todos os dias da viagem. E apesar de poder parecer que é melhor ter a cabana maior, há que ter em conta que são nessas cabanas que se costuma ir sair à noite para as festas, por isso tens de contar com o trabalho de limpeza da manhã seguinte. É importante analisar todos os detalhes e pormenores.

Dia da viagem e primeiros passos na Lapónia:

Para mim, desde o primeiro momento, não achei muito piada à viagem de autocarro, mas afinal de contas já estava habituado às viagens de autocarro dentro de Espanha. Mas a Finlândia não tem nada a haver com Espanha, pelo menos em relação às distâncias do interior do país a que me estou a referir. A viagem desde Turku a Rovaniemi dura exatamente 13 horas, assim que terás a facilidade de poder dormir à vontade, já que a viagem é feita durante a madrugada, e a opção de ler um livro não me parece assim tão viável.

Nesse sentido sofri imenso, porque não consigo conciliar o sono com os meios de transporte. Posso fechar os olhos, no máximo dos máximos durante uma meia hora, mas nada mais do que isso, por isso a viagem pareceu-me interminável. A única coisa boa era que o autocarro dispunha de Wi-Fi e de tomadas, pelo menos deu para estar totalmente conectado com o mundo, o qual agradeces quando olhas pelas janelas e apenas vês os bosques cheios de neve, que se estendem ao longo de uma infinita escuridão.

Os condutores parecem ter bastante experiência e dão-te uma sensação de bastante segurança, já que conduzir em estradas cheias de gelo e de neve, no meio do nada, é muito provável a que aconteça algum susto, e mais tendo em conta que algumas vezes foi necessário pôr o pé no travão, devido à presença de animais que iam surgindo perto da estrada. São situações muito perigosas, mas que felizmente, na maioria dos casos, são resolvidas sem nenhuma complicação.

Se realizam paragens a, aproximadamente, cada 4 horas, paragens em posto de gasolina e à medida que vais mais em direção a norte irás ver mais neve e sentir ainda mais o frio. Finalmente tinha chegado o amanhecer a Rovaniemi, a capital da região da Lapónia. Foi uma viagem interminável, as piores memórias da minha vida, mas uma vez estando ali estava muito contente por termos chegado.

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A primeira coisa que fizemos foi visitar o Museu Arktikum, um museu dedicado à história e à natureza da região. A sua visita não demorou muito tempo, é um museu moderno e como tal no princípio tivemos de ver um pequeno filme introdutório que era como as boas-vindas.

Tudo o que têm exposto é bastante didático e interessante, como por exemplo a indumentária e os objetos típicos das antigas populações Sami, ou as imagens e os objetos que se guardaram sobre como foi o desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial na Lapónia. Mas, sinceramente, depois de uma viagem de 13 horas tudo o que menos te apetece é realizar uma visita intelectual. Muitas das pessoas que viajaram connosco limitaram-se a sentar-se e a descansar, que ao fim de contas era o que o seu corpo lhes estava a pedir. Mas como foi uma visita rápida, deu para ser feita. Depois já iríamos ter tempo para dormir.

Aldeia do Pai Natal e a chegada ao nosso destino:

Ao sair do museu voltámos a entrar no autocarro infernal e dirigimo-nos à aldeia do Pai Natal, a primeira grande visita que estava incluída na viagem. Visto de fora nem parece um local muito espetacular para ser o tão famoso alojamento "oficial" do Pai Natal. Há uma certa disputa entre os países que partilham fronteiras na zona do círculo do polar ártico, para ver quem é o "verdadeiro" dono do Pai Natal. Muito provavelmente se viajares para a Noruega, eles dizem-te que o verdadeiro Pai Natal é norueguês, e se viajares para a Suécia irão dizer-te o mesmo. Mas sem dúvida alguma que o mais conhecido é o Pai Natal da Lapónia finlandesa, e isso é algo que os habitantes locais fazem questão de defender, defensem quase tanto como a sua seleção nacional de hóquei no gelo.

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Dentro do edifício principal tivemos de aguardar na fila, todos em grupo, para depois podermos entrar na sala onde está sentado o Pai Natal. É uma fila bastante comprida, porque as pessoas costumam estar, mais ou menos, 5 minutos dentro da sala. Mas a espera não é muito aborrecida, porque o seu interior tem uma decoração muito cuidada. No centro têm exposto um enorme pêndulo que representa um "relógio mundial", juntamente com um rolo de papel com cartas para o Pai Natal de crianças de todo o mundo, que hoje em dia, detêm o recorde de maior rolo de papel alguma vez criado.

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Depois de algum tempo entrámos todos os pertencia-mos ao grupo de estudantes levados pela ESN. Éramos aproximadamente 30 ou mais pessoas, assim que já dá para terem uma ideia do tamanho que tinha a sala do Pai Natal. Aqui podes dar um passou-bem ao Pai Natal e até falar com ele no idioma que queiras, porque a pessoa que encarna este papel tem conhecimento de um grande número de idiomas. É proibido sentares-te ao colo dele, nem podes tocar-lhe. ELe apenas está ali sentado para tirar fotografias, que são tiradas por uma fotografa que faz parte da equipa do Pai Natal. Para além disso toda a visita está gravada em video e oferece um streaming em direto na página oficial do Pai Natal.

Quando terminas já só te resta poderes ver como ficaram as fotografias, as quais te vendem pelo razoável preço de 30 euros. Há várias opções de tamanho para eleger, assim como também podes optar por um pacote, que consiste em darem-te as fotografias e vídeos numa pen. O preço deste pacote é de 120 euros. Uma barbaridade, mas a verdade é que é o Pai Natal, por isso compreende-se. Enquanto grupo nós pagámos 30 euros, o que dividido entre todos ficou pouco mais de um euro.

Ao sair do edifício tivemos a oportunidade de percorrer livremente a aldeia toda, a qual durante estas datas era a sua época alta. Via-se, especialmente, famílias, com os seus filhos pequenos brincando com a neve e andando de trenó. É, basicamente, um local familiar que tem uma atmosfera mágica.

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Uma das coisas que me chamou mais à atenção é algo que se encontra no exterior, onde está marcado o ponto exacto por onde passa o círculo do polar Ártico, paragem obrigatória para tirar uma fotografia, mas com o qual é preciso ter cuidado para não cair, já que se encontra totalmente coberto de gelo. Para além de que este é um dos poucos sítios onde não te cobram nada por estares a fotografar.

Os outros edifícios adjacentes são locais de lojas de recordações, que se vendem a um preço especialmente acessível. Mas todas as lembranças são bastante especiais e no final acabas sempre por não conseguir resistir e terminas comprando algo. Nesta zona, aconselho, a que leves o teu passaporte, porque por 50 cêntimos eles colocam-te um carimbo que indica que visitas-te a aldeia do Pai Natal. Infelizmente eu tinha deixado o meu passaporte em casa, mas também era apenas um carimbo.

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No exterior pode-se ver as restantes atrações que existe, como o resto das decorações ou as renas que se encontram dentro da fazenda. Existem também muitas outras coisas gratuitas e especiais que dá para se fazer, por exemplo, eu estive bastante tempo a dar festinhas aos huskies que eles têm presos no exterior. São totalmente inofensivos e estão acostumados à presença de turistas, para além de ser incrivelmente carinhosos. Apesar de que me deu um pouco de pena vê-los presos no exterior a apanhar frio.

Existe pouco mais para fazer dentro da aldeia. A última coisa que vês antes de sair é a oficina dos correios, onde dá para enviar uma carta/ postal diretamente da aldeia do Pai Natal para qualquer parte do mundo.

O resto da tarde passámo-la na cidade de Rovaniemi, sobretudo num centro comercial ao que nos levaram para fazermos compras básicas de comida para comermos nos dias em que iríamos estar nas cabanas. E foi o que fizemos, comprar alimentos básicos para o nosso grupo, ou seja massa, e depois fomos comer num restaurante de comida rápida (de fast food).

Depois regressámos ao autocarro para irmos em direção à cidade onde estavam localizadas as nossas cabanas, Saariselkä. Uma pequena, mas muito acolhedora cidade, preparada para receber turistas que se dirigiam à Lapónia durante estes meses do ano. Chegámos às cabanas, mais ou menos, pelas 20 horas, e depois deram-nos as chaves apara podermos entrar nas respetivas casas. Em seguida explicaram-nos também como funcionavam as partes básicas da casa, ou seja, a sauna e a chaminé. Era uma cabana pequena (talvez a mais pequenas de todas as que já tinha visitado), mas era mais do que suficiente para todas as pessoas que iam ficar a dormir ali.

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Nessa primeira noite apenas jantámos e preparámos as nossas camas. Os dias mais intensos ainda estavam por chegar. É importante mencionar que nessa noite dormi como poucas vezes tinha dormido na minha vida, mas infelizmente na manhã seguinte tivemos de madrugar bastante, por isso não pude recuperar das horas de sonho que me faltavam.


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