Perde-te no mundo | Experiência Erasmus Barcelona

Perde-te no mundo


“Olha para ela, têm um novo visual e tem melhor cara”, “Parece que tem a cara mais redonda”, “Acho que está mais branca e fica-lhe bem”, “Está mais confiante e estável”. Estes foram alguns dos milhares de comentários que atentamente ouvi no dia que regressei a Portugal num jantar surpresa organizado pelos meus familiares. Claramente eram as saudades a falar mais alto, mas isto não quer dizer que cada um destes comentários não tivesse uma pequena verdade escondida.

Quando cheguei a Barcelona um turbilhão de emoções marcaram o meu percurso. Posso ainda dizer, que antes da chegada, este já tinha pelo menos começado. Barcelona não é de todo uma cidade em que se consiga facilmente alojamento, e após meses de procura, eu e alguns outros colegas tivemos de ter a coragem de viajar para um país onde não teríamos onde ficar e onde em poucos dias teríamos que assegurar a estadia para dois meses e meio. Assim sendo e ignorando ainda o facto de ter viajado de avião pela primeira vez e me ter maravilhado- apesar de ainda com algum medo de alturas- cheguei a Barcelona com algumas noções básicas do funcionamento do metro da cidade, algum dinheiro e vários kilos para transportar. Saída do avião facilmente adquiri um cartão de passe, que foi a minha maior relíquia durante os meses que aí maravilhosamente vivi, com muito esforço, positivismo e força de vontade, arrastei toda a minha bagagem e cheguei ao hostel que tinha conseguido para 3 noites. Aí começou a minha aventura. Incansavelmente, durante 3 dias, conciliava conversas e pequenos encontros para pequeno almoço com outros jovens do hostel com caminhadas para encontros com senhorios para alugar casa. Não fazendo uma grande descrição foi a tarefa mais difícil de todo o percurso. E onde penso que deveria ser fornecida alguma ajuda pela escola que acolhe ou, pelo menos, um facilitar de contactos.

Após o alcance de um teto que pudesse considerar meu, podia já recordar algumas pessoas que tive oportunidade de conhecer, locais que garantidamente queria ver mais de perto e algumas quantas horas perdidas por me ter literalmente perdido nas ruas da cidade. Para contribuir para toda esta aventura tive de estar um mês sem telemóvel por ter o meu cartão inativo, e ter de esperar a minha única carta vinda de Portugal, que continha um pequeno objeto que hoje em dia é considerado tão vital para algumas pessoas como um órgão- um novo cartão SIM. Assim, visitar locais tornou-se duplamente desafiador, uma tarefa que realizava com um mapa de bolso, espírito aventureiro e um sorriso para pedir indicações a afáveis pessoas que caminhavam diariamente pelas ruas. Incansavelmente procurava visitar tudo o que podia no mais curto espaço de tempo que alguma vez considerei dois meses.

Aventuras à parte, a receção por parte da Escola Superior d’Infermeria del Mar conseguiu ser a mais afetuosa e encorajadora ao próprio desenvolvimento, que podia ter imaginado. Fomos acompanhadas com a maior proximidade e à vontade que podia existir. Além de reuniões semanais possuíamos ainda um grupo online onde com imensa regularidade nos era pedida um upgrade de como estávamos e do que necessitávamos. Em tudo bastante positivo.

Em ensino clínico tive oportunidade de ser inserida em equipas profissionais que considerei excelentes, tanto em termos de conhecimento técnico como humanísticos, e que me conseguiram fazer apaixonar pela personalidade catalã.

Em meio hospitalar quase não era visível hierarquia alguma em nenhum posto. Médicos, enfermeiro, auxiliares de enfermagem (em que estes possuem uma posição muito mais ativa, e que requer mais estudos que no nosso país) e equipa de limpeza tratam-se como iguais, partilham as mesmas salas, mesmos computadores, mesma comida, mesmas conversas, sorrisos e não utilizam qualquer título antes do nome. Incansavelmente proporcionaram-me a maior quantidade de oportunidades para aprendizagem que conseguiram e encorajaram desde o primeiro ao último dia de ensino clínico à maior pró-atividade possível. Nas áreas de estágio que realizei, tive ainda oportunidade de conhecer colegas que se revelaram também elas fantásticas e que acabaram por marcar o meu percurso em Erasmus.

Quanto às instituições de saúde, estas tinham condições excelentes e materiais bastante recentes. Os cuidados eram prestados à população mais heterógena que alguma vez presenciei. Tão provável seria encontrar um japonês como um paquistanês, castelhano ou russo. O inglês era portanto uma ferramenta além de todas as outras, que para muitos profissionais se encontrava bem desenvolvida.

Não contente com a quantidade de tarefas que já tinha diariamente para realizar, e não esquecendo que para chegar de casa ao hospital demorava uns 40 minutos de metro utilizando duas linhas distintas, inscrevi-me num dos vários grupos de Erasmus que existem por Barcelona. Através do qual, não só visitei algumas cidades por um preço acessível ao bolso de estudante, como também pude conhecer pessoas de pontos opostos deste globo azul que habitamos. E que decisivamente recomendo a qualquer colega pela facilidade de selecionar diferentes oportunidades conforme o nosso horário de disponibilidade.

Entre os quilómetros diários que percorria para o hospital, o tempo de ensino clínico, turno catalão que marca as 15h para hora de almoço, empenho dispensado para aprendizagem, descoberta de novos locais, passeios pelo jardim, idas à praia, visitas a museus, encontros com amigos, filmes em castelhano, apresentação de relatórios, cozinhar, ir às compras, perder-me e voltar a perder-me, cheguei à ultima semana sem energia alguma para me mexer. Tive os dias mais incansáveis da minha vida, onde pude considerar todos os minutos como privilegiados, e que no fim me permitiram sentir uma pessoa mais autónoma e confiante, do que alguma vez fui. Hoje posso dizer que, tirando a dificuldade em conseguir alojamento, que de facto penso que deveria ser disponibilizada alguma ajuda pela escola que acolhe o aluno, não mudaria um único pormenor no percurso que tomei. Isto porque de facto, o conjunto de fatores e peripécias que caracterizaram a minha jornada, foi o que me levou no fim a atingir os objetivos iniciais de conhecer uma nova cultura, desenvolver uma nova língua, conhecer outras realidades, participar em novas actividades, conhecer novas pessoas também estas de outras culturas, enriquecer a minha aprendizagem, adquirir novas perspetivas, alargar o horizonte, desenvolver autonomia,…

Hoje, ao fim de uma semana e pouco de regresso sou já capaz de sentir saudade e assim classifico a experiência de ter participado no programa de Erasmus com uma pontuação máxima e que nunca esquecerei.

 


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