Erasmus! Estilo de vida ou vicio?


A minha vida Erasmus era suposto ter-se iniciado em 2010, quando fui seleccionado para o programa de Erasmus Estudos com um grupo de colegas para a Grécia – Atenas mas, devido a certas circunstâncias este teve de ser atrasado um ano. Então em 2011 iniciei a minha primeira experiência Erasmus. Comecei pelo programa Erasmus Estudos por um semestre na Republica Checa – Ostrava.

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Estava radiante só com o pensamento de ir e de conhecer um novo pais, um novo estilo de vida e só contava os dias até à data do meu voo.

Chegou o dia, era altura de ir para o avião! Foi uma viagem grande (para aquela altura): aviões, comboios, eléctricos, não via meio de ver o fim da viagem e chegar ao meu destino final, eu e os meus outros 3 colegas!

Chegámos ao sítio que iríamos chamar de “casa”, nenhum de nós se lembrou dos amigos, família ou mesmo de descansar, o nosso desejo era de sair, de descobrir o que existia à nossa volta!

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Depois de alguns dias, passámos de 4 pessoas a 6 colegas a viver em dois pequenos quartos. Talvez fossemos 30 Portugueses e não querendo mentir-vos, talvez fossemos cerca de 200 estudantes Erasmus, da Europa e não só, naqueles dormitórios.

Os primeiros meses foram loucos, posso dizer que vi um pouco de tudo e eu já tinha visto muitas coisas loucas na vida! Existem coisas que se passaram que nem posso contar, seriam consideradas ilegais talvez... dias/noites loucas sem fim ou melhor, conectadas, mas vou deixar a vossa imaginação fluir pois se especificar nunca mais não nos deixariam ir noutro programa Erasmus haha.

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Festas que começavam num corredor com pessoas ao acaso, que passavam para algum quarto ou sala de fumadores ou até no eléctrico e que na maioria das vezes terminávam naquele que era o ponto de toda a perdição: Stodolni, a rua dos bares e festas! De bar em bar era só escolher o que mais nós gostávamos e pronto. Das coisas mais estranhas (no bom sentido, claro) que nos apercebemos foi que sempre que devolviamos uma garrafa ou um copo, o barman devolvia-nos dinheiro como se fosse um depósito por não termos partido o copo, o que do meu ponto de vista, era um incentivo a pedirmos outro... era um ciclo vicioso!

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Tinhamos actividades organizadas para os Erasmus, festas, viagens para outros paises, entre outras coisas... Ah! E quase me esquecia, tinhamos escola! Sim, nós íamos lá para estudar por isso também íamos à escola.

Na altura do natal, recebemos a melhor prenda possível, pois os quatro tínhamos pedido para ficar mais um semestre e adivinham? Fomos os quatro aceites para ficar! Estava-se a compôr um belo ano. O natal foi diferente, não foi tradicional, foi sim com uma nova família, a família Erasmus! Cozinhámos imensa comida tradicional, tinhamos vinho, queijos, enchidos, basicamente um pocuo de tudo que nos tinha sido enviado de Portugal.

No final do primeiro semestre, alguns amigos foram embora mas outros voltaram, assim não existiam tempos mortos, haviam muitas pessoas novas para conhecer, sítios para lhes mostrar e receber os amigos que nos vinham visitar.

Não vou descrever o segundo semestre, pois iria se tornar muito longo e vocês iriam saber coisas a mais XD mas ainda durante o segundo semestre tive a oportunidade, visto ser escuteiro e fazer parte do STAFF da Base Nacional da IV (Drave), de ir representar tanto o campo escutista em si, como o CNE no seminário de STAFF de campos escutistas Goose Network.

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Neste ano, este encontro foi realizado em Roma - Itália, foi uma semana de formação sobre a rede de campos escutistas, suas actividades e seus métodos de trabalho, também existiu formações em outras areas, como apresentação e interacção com os participantes.

Em Junho de 2012 na altura de regressar a casa, já tinhamos planos para uma próxima aventura! Eu e um colega da primeira mobilidade, em Agosto, iríamos numa mobilidade internacional até à China – Macau durante 5 meses, mas esta mobilidade fica para outra história! Faço referência aqui porque durante a minha estadia lá fiz o pedido para no ano seguinte, 2014, realizer outro programa Erasmus, destas vez Erasmus Estágio. Há que experimentar tudo!

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Depois de voltar de Macau, mais um aparte, sendo que eu e o meu colega após duas mobilidades juntos ainda fomos convidados a ir até ao Brasil em outra, mas esta recusámos, é importante viajar muito, mas também é importante aproveitar as melhores oportunidades e saber esperar e escolher, outras aventuras estavam para chegar!

Assim passei o resto do ano de 2013 em contagem decrescente para que chegasse de novo a data de partir, faltava praticamente um ano. Mas, ainda durante este ano encontrei uma mobilidade para Tailândia - Bangkok, esta que apresentei ao instituto e onde foi feito os possíveis para eu ingressar na mesma. Após aprovações e ter todas as coisas encaminhadas, já a pensar que saia do estagio e ia directo para a Tailândia, eis que chega uma email a informar que devido aos meus documentos originais não terem chegado a tempo esta mobilidade iria ser cancelada. É uma pena é verdade mas, nunca desistir, sempre procurar por mais e claro, ainda estava à espera de ir para o estágio.

As pessoas já estranhavam o facto de estar tanto tempo por Portugal, como já tinha alguma bagagem relativamente ao assunto, sendo que me encontrava "em espera" e como por acaso era necessário um representante, acabei por ser novamente seleccionado para o Goose Network.

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Viajei até Luxemburgo para voltar a participar no encontro, este ano foi mais dedicado a parte pedagógica e métodos de ensino, mas também primeiros socorros, pois esta é uma area bastante importante, a segurança.

A data do estágio finalmente chegou, era Janeiro de 2014 e lá estava eu, novamente pronto para ir outra vez e adivinhem para onde! Encontrei uma empresa em Ostrava, é verdade, estava a voltar para aquele lugar onde tinha sido muito feliz durante um ano.

Estava de volta por três meses e desta vez sozinho, mas era uma nova experiência num local que eu conhecia bem. Assim, não tinha de sair muito, pois não tinha aquele sentimento de querer descobrir, ter de ir ver e procurar, mas tambem visto ser um estágio e ter mais responsabilidades, era bom já estar ambientado.

Nunca irei esquecer o meu primeiro dia na empresa! Fui recebido pelos chefes e falámos sobre tudo, para verem como a conversa “ia bem”, eles perguntaram-me se eu conhecia a Rua de Stodolni, mas como poderia eu responder que não para parecer bem, se eu podia dizer os bares por ordem e guiar me de olhos fechados?!

Com o desenrolar da conversa sobre a questão anterior, recebi um simples comentário: “Ok, ok, só para que saibas, nós temos um horário flexivel quanto à hora de entrada para quem gosta de beber um copo a mais durante a noite” e eu sempre com umapoker face, tentando ser profissional, como se aquilo não fizesse diferença para mim mas, na minha cabeça, passava imagens de centenas de festas que tinha passado aqui... Mas, atenção! Tenho que referir que, eu nunca, nunca (dupla negação?! ) usei esta flexibilidade como desculpa para chegar atrasado, só mesmo em caso de doença.

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Sim sim, tem razão, não tenho fotos de mim a trabalhar, mas também quem quer me ver sentado ao computador a trabalhar?!

Estava em Maio e o meu estágio ja estava a acabar, quando um colega Erasmus na minha última noite disse-me que ele e uns colegas nossos iam para a Croácia – Labin uma semana, fazer parte de um Erasmus+ Youth Exchange Program e perguntou-me se gostaria de ir com eles nesta Aventura. Até à data eu nunca me tinha lembrado daquele país para viajar ou mesmo para algum tipo de mobilidade, mas ao qual eu respondi “Claro que sim, onde me inscrevo? ”. Preenchi os documentos, enviei e fiquei à espera da resposta.

Lá estava eu a voltar para Portugal e estava num aeroporto a fazer escala, quando recebo um email a confirmar que tinha sido aceite, fiquei doido, feliz e... preocupado! Preocupado pois estáva a voltar a casa e tinha que explicar à minha familia que após estar uns meses fora, iria só passar uma semana em casa e depois iria novamente embora... Mas estava tudo bem, tinha tempo! Agora iria só apreciar o voo para casa e pensar na próxima semana, afinal, uma coisa de cada vez!

Cheguei a casa, só contei ao meu irmão que me iria embora outra vez, ele disse que era uma óptima ideia e ajudou-me a preparar tudo. Só dois dias antes de ir embora, enquanto jantávamos, comecei a conversa sobre o assunto e vocês podem imaginar a reacçao deles, aliás, não podem! Com o meu pai foi algo tipo “Ok, enjoy and take care”, já com a minha mãe... como explicar... ela quase que arrancou os seus cabelos, mas no final ela entendeu! Entendeu que já estava tudo tratado e eu de bagagem feita.. Nada a fazer portanto!

Era o meu primeiro Youth Exchange, eu e um dos colegas fomos de Portugal para UK onde esparámos pelos outros que vinham da República Checa e lá fomos todos juntos.

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Uma semana de formação, debatemos e trabalho em equipa, mas o mais importante tinha sido o trabalho realizado com a criação de mobiliário para venda numa festa, que se realizou onde todos os fundos angariados seriam convertidos para as pessoas que tiveram problemas com as cheias.

Além disso, ainda no final dessa semana foi realizado um convite, este era o de voltar no final do verão para um Erasmus+ EVS (European Volunteer Service) com a duração de 6 meses.

Voltei para casa, a minha família começa por perguntar se gostei, se me ia focar mais na universidade e se tinha alguma novidade para eles. Claro que tinha, a notícia era que em Setembro ia voltar para a Croácia, passar 6 meses a fazer o meu programa de voluntariado. Óptimo para mim, péssimo para a cabeça dos meus pais! Após uma longa conversa e com aceitação de todos voltou aquele problema, contar o tempo para me ir embora.

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Durante estes 6 meses trabalhei como voluntário na associação Alfa Albona em Labin, realizei trabalho de escritório, promovi a mobilidade, desenvolvemos projectos e actividades, e no final construímos um livro para crianças a explicar e incentivar o voluntariado.

Também tivemos duas semanas de “Trainings” em duas zonas diferentes da Croácia, com todos os outros EVS’s que se encontrávam na mesma situação que eu. Com estes encontros mostrou-nos os projectos em que os outros estavam a trabalhar, o que nos ajudou a conhecer um pouco mais sobre o país e claro, também existiu muito bons momentos e confraternização!

Eu sei o que estão a pensar, que se calhar me estou a esquecer de falar sobre alguma coisa, certo?!

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Houve muitas tardes/noites de convívio, muitos encontros na casa dos voluntários com os temas gastronómicos, onde nós apresentavamos iguarias dos nossos paises, festas e actividades que eram organizadas por outros grupos mas aos quais nunca falhava a nossa presença.

No final de tudo eu e os meus dois colegas de casa ainda tivemos tempo para fazer uma roadtrip, pegámos no carro e demos a volta a uma grande parte da Croácia. Foi espetacular, ver toda a costa, os parques naturais e todas as cidades por onde passavamos, digo-vos, vale mesmo a pena.

Voltei para casa e deixei estar, agora sem mobilidades, sem planos até que, depois de algumas pesquisas, e porque a internet não é só para andar no Facebook, apareceu um novo projecto ao qual me candidatei e está previsto ir para fora e fazer um estágio de 6 meses. Onde? Não sei, não penso muito nisso, só penso na hora de ele chegar.

Entretanto estou eu em casa, descansado quando me liga a minha irmã a perguntar se gostaria de ir a um Erasmus+ Training na Romenia, em Outubro. Pergunta ridícula, Claro que quero ir! Claro que tenho tempo, vamos embora!

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Viajámos até à Roménia – Suceava, foi uma semana de formação e de procura de ideias/modos decativar e incentivar os jovens de hoje em dia a mudar e a ligarem-se mais à sociedade que os rodeia, mas mais que isso ficou um bichinho de fazer mais por isso! Todos os que lá estávamos, estamos a desenvolver um projeto maior para que as ideias não fiquem só em papel. Ainda durante a semana surgiu a proposta por um amigo nosso de UK de criármos um Non Formal Youth Group e este pensamento veio o caminho todo ate Portugal a remoer!

Pesquisa, pesquisa e... está feito! O nosso grupo está criado “GIVE – Group Interessed in Voluntering and Entrepreneurship” e já se encontra em funcionamento na divulgação de mobilidades e ajuda em projectos. Uma semana após a criação, recebemos pedidos para encontrar pessoas para irem a um YE na Macedónia – Bitola em Novembro, fizemos o nosso melhor e após muitas voltas dos 5 pedidos encontrámos somente 3 xD Visto termos tempo livre, preenchemos as últimas duas vagas comigo e com a minha Irmã.

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Vamos embora, vamos para a Macedónia, vamos fazer StreetWorkout! Foram dez dias de desenvolvimento físico mas também de muita base teórica de como praticá-lo e de como incentivar os outros. No final, realizámos um evento público para toda a cidade que foi recebido em grande! Mas, durante este YE outro pedido chegou, para que encontrássemos pessoas para ir à Roménia – Brasov logo na semana seguinte. Não encontrando gente disponível, e mais uma vez tendo tempo livre, eu, a minha Irmã e um dos participantes que tinhamos arranjado para a Macedónia tratámos de preencher as vagas para que nunca exista falta de gente Portuguesa nos encontros.

Agora? Agora fui a Portugal dois dias só para lavar a roupa e voltar a meter-me no avião onde estou agora a escrever para vocês a caminho do YE na Roménia para debatermos o desemprego e aprendermos como nos apresentar a empresas e afins... Será que é desta que depois vou arranjar um emprego ou vou continuar ingressar neste meio de vida?!

Agora volto a perguntar, programa Erasmus+, estilo de vida ou vicio?

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PS: Para vos deixar um pequeno update desde último YE em que estive na Roménia. Chegando a Brasov, passámos dez dias a descobrir como nos apresentar ás empresas via CV's, carta de recomendação, entrevista, bem como com exemplos de outras pessoas, que disponibilizaram o seu tempo para nos dar alguns conselhos e casos reais de desenvolvimentos de negócios.

Foram dez dias onde existiu muito convívio também, isto visto que a cada dia tínhamos um aniversário, então era sempre motivo para existir mais um pouco de convívio, o que nos levava a conhecermo-nos melhor a cada dia.

Para verem como as pessoas se dão bem nestes encontros e que fazemos amigos para a vida, no nosso regresso a Portugal, visto que iríamos estar praticamente dois dias na Turquia - Istambul, tratamos logo de falar com os nossos novos amigos Turcos.

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Eles disponibilizaram-se a 100% para passar o dia a mostrar-nos o que pudessem para o tempo que tínhamos. Depois de passar todo o dia a passear, a conhecer aquela bela cidade e as suas iguarias, voltámos ao aeroporto. Ainda lá outra surpresa: uma colega que tinha conhecido em 2014 em Ostrava, apareceu para beber um café e meter a conversa em dia.

PSS: No fim disto tudo o que queria mesmo dizer é, aproveitem todas as oportunidades que vos derem ou que encontrarem, mas que vos benefeciem e façam crescer, conheçam novas pessoas, culturas e descubram o mundo!

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Rui Lopes (Roy) Portugal


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