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Como é ser rapariga na Roménia

Publicado por Catarina Serrano — um ano atrás

Blogue: Vida em Iasi
Etiquetas: Blogue Erasmus Romênia, Romênia, Romênia

Esta publicação vai falar muito acerca de assédio e não é que em Portugal as mulheres não sejam assediadas, porque são, no entanto, não sei se é por eu ser de um país estrangeiro, mas sou muito mais assediada na Roménia do que em Portugal.

Caminhar na rua

Todos os dias há um homem que passa por mim e me diz qualquer coisa em romeno e eu não faço ideia do que seja, mas consigo adivinhar pelo olhar que me lança e o tom de voz. Há também muitos ciclistas a circular na rua, eles tocam a sineta da bicicleta quando alguém se encontra na via deles e eles querem passar ou quando vêem uma rapariga que considerem jeitosa. Já fui também apalpada no meio da rua, em plena luz do dia, em Bucareste e tive que utilizar a violência para me fazer respeitar, porque ninguém me apalpa sem o meu consentimento e sai impune, dei-lhe um murro e o anormal ainda tentou bater-me de volta, voltando mais tarde a perseguir-me, não encontrando alternativa, se não atirar-lhe com o resto do meu capuccino a cima.

Aulas

O facto de ser uma rapariga estrangeira deve fazer de mim mais apelativa, pois já alguns colegas vieram falar comigo em frente a todos os outros, a convidarem-me para sair, falavam alto para os restantes ouvirem, do género "olhem para mim a falar com a rapariga de erasmus, esta é fácil". Há muito a ideia de que as raparigas de erasmus são "fáceis", pois vêm para um país diferente, onde ninguém as conhece, ficam à vontade para fazerem o que quiserem, mas bem que podem tirar o cavalinho da chuva comigo. Já tive que utilizar a tática de ligar à minha mãe para evitar esses colegas que vinham falar comigo, a convidarem-me para sair, sempre que tinham oportunidade.

Já cheguei a ser assediada numa aula por quase toda a turma e a professora não fez nada, talvez tenha sido a única que não se apercebeu do que estava a acontecer. Um rapaz da minha turma não parava de me olhar de cima abaixo, os colegas dele diziam-lhe qualquer coisa sobre mim e depois riam-se, na altura nem percebi, nunca reparo nessas coisas, foi a Carolina que me avisou. A professora começou a exemplificar os exercícios de flexibilidade que tinhamos que fazer, um deles incluía ficar de rabo para o ar, abrir as pernas e tentar chegar com as mãos ao chão. Todos os alunos estavam a fazer esses exercícios, mas há sempre alunos que ficam de fora a ver a aula, esses começaram a vaiar-me e a falarem para aquele colega que me estava a olhar de cima abaixo, rindo-se todos em conjunto. Senti-me tão mal com aquela situação que tive que mudar de sítio, quando o fiz eles gritaram todos "oooooooh!". Nunca mais voltei a essa aula, decidi mudar o horário e passar a ir a numa outra hora, com outra turma, pois nunca os meus colegas em Portugal tiveram esse tipo de comportamento, nunca os vi a tratarem-me daquela forma, às minhas colegas ou a alunas de erasmus. 

Residência

Um dos meus colegas de residência veio falar comigo a perguntar-me de onde é que eu era, o que é que eu estudava e assuntos do género, como é óbvio, não o ia mandar dar uma volta, falei com ele e fui simpática, pois estamos num país diferente, longe de casa e é sempre bom falar com alguém simpático. Eu pareço antipática à primeira vista, mas sou sempre simpática quando falam para mim e isso é um problema, porque é muitas vezes visto como sinal de intresse da minha parte. Desde que falei com esse meu colega de residência ele começou a perseguir-me, pois sempre que me ouvia no corredor, ele vinha à porta do quarto para falar comigo, ou quando eu ia à cozinha, ele aparecia só para vir falar comigo, assim como me manda mensagens para o messenger e me liga para lá, começo a ficar seriamente assustada com isso, pois ele também me disse que queria ser o meu único amigo na Roménia e é assim que começam relações abusivas, se bem que eu não tenho qualquer tipo de relação com ele. A minha solução para o evitar é não falar mais no corredor e ir cozinhar para a cozinha do 4º andar, pois ele já decorou a hora a que vou cozinhar e aparece lá sempre.

Ginásio

Estava a fazer agachamentos no ginásio quando um homem me aborda para me explicar a forma como se faz agachamentos, só que eu já faço agachamentos há muito tempo, se há coisa que eu sei é fazer bem agachamentos, portanto foi ridículo, ainda mais um homem que não tinha físico nenhum definido, eu sei que isso não quer dizer nada, mas reforça mais a minha teoria de que só veio implicar comigo por eu ser uma mulher no ginásio e há sempre muito a ideia de que a mulher não percebe nada daquilo e é uma forma de meter conversa com elas. Teve que levar uma resposta arrogante, pois eu disse-lhe que não precisava da ajuda dele, ele que fosse ajudar os 20 homens que estavam ao meu lado quase partirem os joelhos enquanto faziam agachamentos.


Comentários (1 comentários)

  • João Paulo Quinhas um ano atrás

    o que escreves faz-me lembrar um programa da Sic " e se fosse consigo",não sei se conheces...
    No passado dia 20 o tema do programa foi o assedio sobre as mulheres, no nosso país.
    Ler este tipo de atitudes de homens (que nem mereciam que lhes chamasse de tal, mas enfim...) só dá mesmo vontade de partir para a violência e de os assediar a eles, mas de outra forma para ver se gostavam!

    Espero que voltes em breve da Roménia, pois uma pessoa fica receosa daquilo que eles podem tentar fazer-te!

    Boa sorte e muito cuidado!

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