Visita à "Última Ceia" de Leonardo da Vinci


Leonardo da Vinci é conhecido por todos nós como um grande homem do Renascimento Italiano. O seu trabalho é notável nas mais variadas áreas desde a Arquitectura à Anatomia e o seu contributo para as gerações que o seguiram é enorme. Á semelhana de outras cidades italianas, Milão teve a sorte e o prazer de ser casa de Leonardo durante um par de anos; par de anos esse em que deixou algumas benfeitorias à cidade, nomeadamente um novo projecto de engenharia para os canais de água que irrigavam a cidade - os famosos Navigli - e a pintura mural no refeitório dos frades da Chiesa di Santa Maria delle Grazie, mais conhecida por "A Última Ceia".

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No interior - Dezembro de 2016

De que se trata?

"A ÚItima Ceia" é um icóne da Pintura Mundial. Pintada por encomenda de Ludovico il Moro, na altura governador da cidade - última decada do século XV - contrasta com as suas contemporâneas, não no tema - religioso e tão revisitado - mas na forma de representar tão progressista e na técnica utilizada responsável pela rápida deteorização de que foi alvo. A cena, aparentemente banal apresenta já um enquadramento limpo e perspéctico, onde é possível identificar os vários planos de ação e a distância a que ocorrem de nós - tão longe do gótico lombardo, onde reinava a cacofonia de representação. Leonardo foi também inovador, como já mencionei, na técnica utilizada: em vez de pintar a fresco, enquanto o estuque da parede estava fresco, fê-lo depois para conseguir luminosidade e brilho nas cores. A pintura começou a deteriorar-se poucos anos depois de ter sido terminada e hoje é mantida a todo o custo de modo a que possa continuar a maravilhar os vários curiosos que a visitam todos os dias. 

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Neblina matinal à entrada - Dezembro de 2016

Como marcar bilhetes?

Para visitar a "Última Ceia" é necessário marcar com alguma antecedência. Diria cerca de 1 ou 2 meses para garantir horário. A marcação tem de ser feita online, através do site oficial para o efeito - ver aqui. O ideal é mesmo comprar no site oficial para evitar problemas ou preços mais elevados. Na altura de fazer a marcação é também necessário escolher a hora a que se quer ir, já que o tempo no interior do espaço é limitado de modo a controlar o número de pessoas que se encontram no seu interior e fazer circular o maior número de visitantes. 

Como chegar?

Chegar à Chiesa di Santa Maria delle Grazie, onde se encontra o refeitório, é bastante fácil a partir do centro da cidade de Milão. A igreja localiza-se no Corso Magenta, rua principal do casario milanês. A partir do metro, ir até à estação de Cadorna (M2 e M3) e andar um pouco em direcção ao local. Para quem optar por utilizar o eléctrico, também existem opções que param mesmo à frente do local. 

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Lateral da Igreja - Dezembro de 2016

Quanto custa?

Depende da faixa etária e outras condicionantes. Os preços estão disponíveis online mas independentemente do preço, há uma taxa obrigatória de 2€ pela marcação antecipada. Os adultos, julgo, pagam 10€ mas para os estudantes, perante a apresentação do cartão da faculdade, a entrada é gratuita, só se paga mesmo a tal taxa de 2€, que mais uma vez reafirmo: é obrigatória para todos. 

Como decorre?

Queria ir ver este espaço na companhia dos meus colegas portugueses em Milão. Para conseguirmos um horário com 4 vagas tivemos de esperar cerca de dois meses (as inscrições para o mês seguinte iniciam-se cerca de um mês antes e é preciso estar muito atento para agarrar logo lugares e os melhores horários). 

Assim sendo, só conseguimos para o primeiro horário da manhã - 8.15. Foi necessário apanharmos o metro até à estação de Cadorna e depois andámos cerca de 5 minutos. A igreja estava muito bem assinalada e foi fácil chegar sem precisar de grande ajuda. Para fazer a visita, é necessário chegar cerca de 20 minutos em antecipação para trocar o bilhete automático gerado pelo sistema informático - é preciso apresentar uma cópia física - pelo bilhete que permite a entrada no local. Este processo demora alguns minutos mas é relativamente pragmático. 

No interior da bilheteira, é possível recolher brochuras - existem em inglês e em italiano - que contém informações interessantes que acompanham a visita. Convém ler um pouco sobre a história do local de modo a ir contextualizado e saber para onde olhar no interior, já que o tempo é muito limitado. 

Uma vez reunido o grupo -15 pessoas/máximo - , um segurança encaminhou-nos para uma sala de espera que antecipa a área do refeitório dos monges e cuja porta automática abre assim que a hora bate. 

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Portal de entrada da Igreja - Dezembro de 2016

No interior, é preciso cumprir regras muito específicas de modo a não interferir com as normas de segurança e preservação da peça. Fotografias com flash e sticks de selfies não são permitidos. É preciso manter o silêncio de modo a que se possa admirar a peça de uma forma tranquila e pacífica.

Gostei do local, é calmo e tranquilo. A peça em si é bela e realmente apesar de deteriorada é ainda muito visível e o brilho das cores continua visível após tantos anos. Existem uns banquinhos no interior onde é possível sentar-se a admirar o local e a cogitar. 

Na parede oposta há uma pintura de um outro pintor lombardo, contemporânea da de Da Vinci, mas num estilo mais conservador e que é interessante pelo contraste que cria no espaço. Para os invisuais, há ainda uma pequena reprodução da pintura em versão tátil de modo a que também possam compreender a peça, o que achei muito cuidadoso e enriquecedor. 

Os quinze minutos a que temos direito no espaço passam a correr mas são suficientes para admirar tudo com a devida calma. Seria bom que as pessoas fossem mais preocupadas com o local do que com as fotos e que os seguranças não fossem tão dramáticos com a questão das luzes, mas de resto foi uma experiência muito interessante. 

No fim, somos encaminhados para uma lojinha que tem lembranças do local e muitos artigos relacionados com Arte, Leonardo Da Vinci e Renascimento. Senti que a compra era um pouco forçada contudo percebo a necessidade de financiamento de manter um espaço como aquele e financiar os restauros. 

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À saída no Cortile - Dezembro de 2016

No geral foi uma experiência muito positiva, indicada para todos, mas especialmente para os apreciadores de Arte e Arquitectura. Recomendado!


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