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Cinque Terre: o sonho tornado realidade (Pt2)

Publicado por Catarina Frazão de Faria — um ano atrás

Blogue: Sei accanto a me, Milano!
Etiquetas: Geral

Não é espanto nenhum que o território das Cinque Terre tenha sido reconhecido como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO (em 1997), incluindo ainda Porto Venere e as ilhas Palmaria, Tino e Tinetto.

Passear por esta zona é algo memorável. Como excursão de um dia, posso dizer que é bastante intenso, pelo que, para quem está interessado em percorrer os diversos trilhos, em toda a sua extensão, de um modo relaxado e sem preocupações de horários, desfrutando ao máximo da paisagem lindíssima, o melhor talvez seja reservar dois ou mesmo três dias.

Voltando ao relato da minha viagem, creio que saímos de Vernazza por volta das três da tarde, tendo apanhado o comboio para a terra seguinte, Corniglia. Daquilo que tínhamos pesquisado sobre todas as terras, esta era aquela que, por algum motivo, menos nos tinha cativado…

Corniglia

Das Cinque Terre, Corniglia é a única cujo “borgo” não dá directamente para o mar, localizando-se num promontório cerca de 100 m mais alto que o nível das águas. Este é um facto interessante, que faz com que seja difícil ter a percepção do real perfil da vila a não ser que se esteja num barco, ou então se venha pelo trilho de Vernazza.

Porque quem vem de comboio não tem a visão maravilhosa das casinhas coloridas encaixadas umas nas outras no modo que se gostaria… Para chegar a Corniglia vindo da estação ferroviária, é necessário subir a “Scalinata della Lardarina”, uma escadaria verdadeiramente infernal, com os seus 382 degraus e 33 rampas.

Sem querendo tomar a outra alternativa, isto é, ir à volta pela interminável Via Stazione, que nos pareceu ainda pior, lá iniciámos a subida… Bom, na verdade existe também a possibilidade de servir-nos do autocarro que faz o percurso pela estrada, mas com a quantidade de gente que no geral assolou as Cinque Terre naquele dia, as esperas avizinhavam-se grandes e tempo não era o que nós mais tínhamos.

O nosso sofrimento por esta altura (tendo já feito 2h30 de caminhada no trilho Monterosso-Vernazza) era bastante real, mas eventualmente chegámos ao topo das escadas. Para nosso regozijo, o cenário é estupendo e o ar que se respira é puríssimo. Muito ou pouco cansados, longe de mim dizer que não vale a pena o esforço. São vistas que não se apagam da memória.

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Vista para o mar da “Scalinata della Lardarina”

Corniglia acaba por ser a terra mais desvalorizada das cinco, muito em causa de os acessos ao “borgo” não serem os mais fáceis, assim como pela questão de não ter praia nem porto imediatamente próximos, que é sempre um factor muito atractivo para todos os visitantes.

Precisamente por se diferenciar bastante das restantes terras em termos geográficos, a pesca, em comparação, não é a actividade primária, tanto que a economia de Corniglia se direciona essencialmente para a agricultura. Como tal, a encosta íngreme e rochosa foi sujeita a terraceamento de maneira a tornar o terreno mais cultivável e produtivo.

As famosas faixas (“fasce” em dialecto local) predominam em grande parte da paisagem, vendo crescer extensos vinhedos dedicados à produção vinícola. O vinho branco Vernaccia de Corniglia é um dos produtos típicos mais apreciados.

Corniglia é efectivamente um vilarejo, tão pequeno que os ditos pontos de interesse no “borgo” são um ou dois. Pode dizer-se dividido em duas partes, separadas pela Via Stazione e atravessadas de uma ponta à outra pela rua principal, Via Fieschi. Esta rua coliga a paróquia de San Pietro (no interior) até ao miradouro do terraço de Santa Maria, que se debruça sobre o mar.

A pequena igreja, erguida no século XIV em estilo gótico-ligúrio numa das praças principais de Corniglia, não deixa de merecer algum destaque. No final de Junho, decorrem em Corniglia as festividades em homenagem a San Pietro, padroeiro da vila, preparando-se comida com fartura, nomeadamente as doçarias locais “torta di riso” e “torta dei Fieschi”.

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Vista sobre parte do “borgo” de Corniglia, evidenciando-se a igreja de San Pietro

Pelo caminho em direcção ao miradouro contam-se muitas lojinhas, boutiques bistro e geladarias, que fazem as delícias dos turistas. Perdendo-nos nos “caruggi” – nome liguriano dado às estreitas ruelas e becos muito característicos das povoações desta região – é possível viver a azáfama local, e rapidamente damos por nós na “grande” praça da vila.

No Largo Taragio, uma “piazzeta” (porque é na realidade bastante pequeno), encontra-se o “Monumento ai Caduti”, tendo como pano de fundo o “Oratorio dei Disciplinati di Santa Caterina”.   Edificado no século XVIII, este oratório tem como maior atração o tecto sobre o altar, decorado como o céu, que vale a pena ser visto.

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Largo Taragio, belo ponto de encontro em Corniglia (Fonte)

Por detrás da capela existem umas escadinhas algo ingremes que conduzem a uma outra praça chamada “ fosso”, onde, subindo o torreão remanescente das fortificações genoveses do século XVI, se tem uma deslumbrante panorâmica sobre o mar.

De outro modo, no lado contrário do largo, tem-se o acesso a outra escadaria, que desce até à marina de Corniglia pelo lado das vinhas.

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Caminhando por entre os terraços agrícolas de Corniglia

Eu decidi explorar este caminho, bastante agradável para tirar fotografias, mas não cheguei a ir mesmo até lá abaixo ao pequeno golfo, onde se viam alguns banhistas aventureiros a saltar das rochas para o mar.

Seguindo a linha da costa em direcção a Vernazza é possível alcançar as praias de Gùvano, muito conhecidas pela prática de nudismo, mas também pelo facto deste litoral ser considerado um dos mais bonitos das Cinque Terre.

A melhor forma de lá chegar é via barco, mas a pé também se consegue, ainda que se meta uma longa caminhada de 1 km através do antigo túnel que servia à circulação ferroviária (agora em desuso já que o comboio vai pelo interior das colinas). Não são praias de areia fina e branca, mas hão-de servir ao interesse de alguém.

Regressando ao largo, reuni com o resto do grupo (que tinha ficado a descansar) e tomámos o curso para o miradouro. Do terraço de Santa Maria gozam-se vistas de tirar o fôlego sobre toda a costa das Cinque Terre, sendo um dos grandes chamativos de Corniglia. Neste ponto panorâmico encontramos uma data de turistas ávidos para tirar fotografias, e só não incluo uma porque o efeito contraluz àquela hora não faz jus à beleza natural que observámos…

Além disso, é também possível avistar ao longe na colina, do lao direito, o “Santuario di Nostra Signora delle Grazie di San Bernardino”, o qual pode ser visitado seguindo um dos trilhos que parte da vila.

Concluída a nossa passeata por Corniglia, regressámos rapidamente à estação para apanhar o comboio para Manarola, a quarta terra do dia.

Manarola

O "borgo" de Manarola, com a sua justaposição directa nas rochas que galgam o mar, é aquele que muitos consideram o mais fascinante de todos, e eu não podia concordar mais.

A nossa expectativa para esta terra era muito alta e não fomos defraudados. O porto de Manarola é beleza pura e quase que ficamos sem palavras ao chegar perto do mar.

Enveredando por um passadiço que, contornando a costa, coliga a marina a um fantástico ponto panorâmico - “Punta Bonfiglio”, basta caminhar alguns metros para obter desde logo uma vista de outro mundo.

Palavras para quê...

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Vista da “Punta Bonfiglio” sobre o porto e o "borgo" de Manarola

É, de facto, uma visão estrondosa. Uma das fotografias mais bonitas que tirei, reflectindo em absoluto o que tinha diante dos meus olhos.

As habitações coloridas, constituídas pelas típicas casas-torre genovesas, sobrepõem-se uma a seguir à outra ladeando a rua principal do “borgo” - Via Discovolo, que em continuação pela Via Birolli nos leva à parte baixa da vila.

Deste modo, a vila sobe (ou desce, dependendo da perspectiva) ao longo da cadeia rochosa que se projecta para o mar, originando um emaranhado de “caruggi”, que correm paralelos em vários níveis intermediários conectados entre si por escadarias irregulares de ardósia.

Outro destaque em termos de pontos-chave para apreciar o cenário idílico é o último trecho da Via Belvedere, que constitui uma verdadeira varanda com vista para o mar.

Pelas ruas, junto às mesas dos restaurantes, vamos encontrando “estacionadas” várias barcaças também elas muito coloridas, perfeitamente dispostas num ambiente em que se respira sal. O trabalho de  içá-las no mar é feito por um bloco de polias (“paranco” em italiano), mas verdade seja dita, muitas delas não saem do mesmo sítio, fazendo já parte da decoração típica de Manarola.

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Descendo pela distinta Via Birolli em direcção ao mar

Como é notório pelas fotografias, Manarola estava apinhada de turistas naquele dia. Pudera, com o excelente tempo que fazia!

No caminho para a marina, lembro-me de comer um gelado saborosíssimo numa das geladarias mais populares, assim como de comprar postais numa das muitas lojecas de lembranças. Nada como uma recordaçãozinha de bolso para mantermos viva a memória de um dia tão bem passado!

Penso que esta seja a terra mais turística de todas da “Riviera ligure di Levante”, muito devido ao extraordinário perfil geográfico, que a torna especial. Muito embora, o “borgo” é um dos mais pequeninos, depois do de Corniglia, mas efectivamente é o mais antigo de todos, remontando ao século XII.

Manarola tem uma longa tradição de produção de vinho e azeite, oriunda do cultivo em socalcos que caracteriza as colinas por detrás da vila, como, em toda a região das Cinque Terre. O principal produto de renome é o vinho branco seco Sciaccetrà.

Todavia, o acesso ao “borgo” desde a estação não é o mais aprazível, sendo necessário atravessar um túnel que passa por dentro da colina a sudeste da vila, desembocando no início da Via Discovolo.

Mas daqui aos pontos de maior interesse é num instante, sendo o primeiro a praça da igreja, onde se erguem o “Oratorio dei Disciplinanti della Santissima Annunziata”, a torre sineira e a paróquia de San Lorenzo. A fachada da igreja, em estio gótico, é particularmente conhecida pela sua rosácea em mármore de Carrara.

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“Chiesa di  San Lorenzo” em Manarola, evidenciando-se os terraçoes agrícolas nas colinas

A festa dedicada a San Lorenzo, o santo padroeiro da vila, decorre a 10 de Agosto com uma grande procissão pelas ruas, sendo a estátua do santo transportada depois em cadeirinha para uma barca, fechando-se as festividades ao final da noite com o trajecto desde a marina até à igreja.

Uma outra estrutura histórica interessante em Manarola é o “Castello di via del Baluardo”, erguido em tempos para defesa contra os piratas sarracenos (tal como em Monterosso), em torno do qual cresceu o núcleo central da vila, e cujo remanescente é ainda reconhecível por entre os edifícios pela estrutura arredondada, mesmo por cima da marina.

Do lado oposto, lá no alto da encosta, durante o período natalício tem lugar o maior presépio iluminado do mundo, por meio de estátuas de personagens do Avento feitas a partir de material reciclado e ornadas de milhares e milhares de luzes cintilantes que fazem brilhar Manarola. É uma alternativa sugestiva para visitar a cidade fora do período estivo!

A pouca distância de Manarola (pouco mais de 1km), facilmente alcançável a pé em 20 minutos, desde a estação, pelo famoso trilho dos apaixonados, surge a última das Cinque Terre: Riomaggiore.

A Via dell’Amore, como é denominada, pois era destino predilecto de jovens enamorados, é a última porção do “Sentiero Azurro” que se prolonga até Monterosso al Mare, sendo caracterizada por maravilhosas vistas panorâmicas sobre o mar e donde é possível admirar de perto os arenitos que esculpem as escarpas das colinas.

No entanto, esta parte do percurso - a mais procurada pelos turistas - encontra-se fechada desde 2012 devido a um acidente, tendo reabertura prevista apenas para 2021, pelo que tivemos de apanhar novamente o comboio para nos deslocar-nos até Riomaggiore, vila que também ansiávamos conhecer.

Riomaggiore

Localizada na ponta mais oriental das Cinque Terre, Riomaggiore é mais uma pérola entre o mar da Ligúria e a cadeia montanhosa que, destacando-se para sudeste do Monte Zatta nos Apeninos, cria uma bacia hidrográfica entre o vale do rio Vara e a zona costeira.

Semelhantemente a Manarola, o centro habitacional é constituído de diversos níveis paralelos de casas-torre genovesas de três ou quatro pisos, tanto que o “borgo” antigo cresceu subindo o vale da torrente Rio Maggiore (“Rio Maior”) (agora coberta) que desaguava no mar.

Uma paisagem inestimável, absolutamente característica desta zona liguriana, capaz de abrilhantar os olhos de quem tem oportunidade de a observar de perto.

O melhor ponto para tirar fotografias desta esplêndida vila piscatória é o pontão rochoso, que, com o seu formato semi-circular, cria um porto natural, onde se encontram ancoradas várias embarcações pequenas à bela moda das Cinque Terre. É alcançável pelo caminho que vem desde a marina, mas ainda antes de saltar de rocha em rocha por cima do mar, existe também na encosta um terraço panorâmico que oferece já uma bela vista, digna de qualquer postal, com menos perigo de queda à mistura.

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Vista [do pontão] sobre o “borgo” de Riomaggiore

A estação ferroviária, onde termina a Via dell’Amore, situa-se no adjacente vale da torrente Rio Finale (“Rio Final”), separando-se do” borgo” pela ingreme “Costa di Campiòne”, na qual se ergue o castelo da vila.

O acesso turístico mais fácil ao núcleo habitado é então feito através de um túnel que se abre depois para a rua principal - Via Colombo. Esta, perfilada pelas múltiplas casinhas de várias cores, conduz à parte alta da vila.

A outra saída é aquela que possibilita descer até à marina, donde uma escadaria permite ainda antes subir à ampla Piazza Vignaioli (por cima do túnel) onde se acumulam imensos turistas fogosos em registar a preciosa vista para o mar.

Na Via Colombo surgem, uns a seguir aos outros, variadíssimos restaurantes, geladarias, lojas de recordações e de produtos típicos da região, assim como uma quantidade louca de albergues. Por ser das maiores vilas,  Riomaggiore acaba por ser aquela que muitos turistas elegem como local para pernoitar.

É uma rua extremamente animada e colorida, transportando-nos para um ambiente popular que se faz sentir num misto de fascínio e entusiasmo.

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Momento de pausa na Via Colombo

Continuando até lá acima, tem-se depois uma escadaria à esquerda que nos leva até à outra grande praça de Riomaggiore, onde se encontra a igreja católica de San Giovani Battista, construída no século XIV em estilo românico-gótico, principal local de culto.

Não é, contudo, a mais antiga, já que essa distinção pertence à igreja de Sant’Antonio. No geral, Riomaggiore dispõe de vários oratórios, sendo uma vila bastante devota à religião.

Na ocasião da festa dedicada ao santo padroeiro, a 24 de Junho, decorre a clássica procissão e comem-se pratos típicos como a “torta di riso salata”, uma espécie de bola, e a “minestra di campo”, uma sopa muito rica.

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Vista da praça da igreja de Riomaggiore para as colinas

Daqui, seguindo a Via Pecunia, chegamos ao castelo, datado de 1260, o qual subsiste quase integralmente, fazendo valer as suas duas torres circulares, uma das quais com um relógio. Actualmente, funciona como centro cultural, para congressos e exposições.

Para além das vistas para a parte baixa de Riomaggiore, do castelo goza-se o cenário traseiro das plantações vinícolas segundo a técnica de terraceamento, apanágio de todas as Cinque Terre. Apesar do seu esplendor, acaba por tornar-se, a meu ver, um bocadinho cansativo pois parece que é sempre a mesma paisagem…

De Riomaggiore iniciam-se alguns trilhos interessantes, nomeadamente o que segue em direcção a Portovenere, assim como o de Monesteroli. Este último começa por levar ao Santuario di Nostra Signora di Montenero, num trajecto que demora cerca de 1h e por isso é uma opção válida para quem tiver tempo para explorar Riomaggiore na totalidade. O resto do percurso pede umas quantas horas a mais… O trilho para a Torre Guardiola é também muito apreciado, ponto de referência para uma das vistas mais bonitas das Cinque Terre.

Outra grande atracção de Riomaggiore é a praia, situada no contorno da encosta meridional, se bem que não seja arenosa. Os seixos para mim não são de todo convidativos, mas muita gente aproveitar para tomar banhos de sol.

Infelizmente, nós mal tivemos tempo para desfrutar calmamente do “borgo”. Vimos Riomaggiore um bocadinho à pressa, com grande pena minha, pois era das vilas que mais me tinha despertado curiosidade.

Ainda assim, aproveitámos o máximo que pudemos antes de regressar de comboio a La Spezia, já ao final da tarde. Apesar de não termos tido tempo para visitar esta cidade (já que passámos somente por algumas ruas em direcção ao terminal rodoviário), fica a dica que também é um destino agradável a ser tomado em consideração.

Assim termino o relato desta jornada extenuante nas Cinque Terre; conseguimos ficar a conhecer as cinco de um modo satisfatório e voltámos para Bolonha maravilhados, mas acima de tudo gratos por termos tido esta chance incrível a um preço relativamente em conta.

Embora tenhamos apenas feito uma das caminhadas indicadas, por sinal a mais exigente, o grande ponto de força das Cinque Terre é precisamente o trekking pelos trilhos do parque natural, paisagem protegida, que confere quadros naturais impossíveis de ver em qualquer outro lugar do mundo.

É difícil escolher uma terra preferida, não creio poder fazê-lo dado que gostei realmente de todas, e cada uma, por entre semelhanças e diferenças, tem o seu encanto. O passeio pelas Cinque Terre é realmente deslumbrante! Recomendo vivamente.



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