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O melhor de Viena (Pt5)

Até agora neste tema dividido em várias partes tinha-vos falado quase somente sobre o “Innere Stadt”, isto é, o primeiro município de Viena, onde se localizam muitos dos principais monumentos históricos e atracções da cidade.

No entanto, Viena é tão grande que tem muitos outros sítios para serem visitados noutros pontos da cidade. O meu foco vai agora para os municípios de Wieden e Landstrase, colados à zona central, e que merecem alguns destaques em concreto.

  • Naschmarkt 

É um dos mercados mais famosos de Viena, onde encontramos mil e uma bancas coloridas de flores, carne, peixe, fruta, legumes, especiarias, pão, queijos, bolos, entre muitos outros produtos.

Aqui há de tudo à venda!

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Por entre bancas do mercado

A história do Naschmarkt remonta ao século XVI, quando se vendiam produtos trazidos das quintas dos arredores da cidade ou transportados em navios de outras partes do mundo ligadas ao Império Austríaco.

Actualmente, o mercado serve diferentes propósitos: não só permite aos vienenses fazer diariamente as suas “compras de mercearia”, como também oferece aos turistas a possibilidade de experienciar um ambiente característico, que joga com os cinco sentidos.

Num misto de cores, sons e aromas, o Naschmarkt é um local de tradição em Viena, mas também a representação do multiculturalismo, pois não são só vendedores austríacos que vemos atrás das bancas. São muitos os emigrantes provenientes de várias nações, oferecendo uma variedade de produtos étnicos, mas do que eu pude averiguar, o ambiente não é competitivo.

Aqui podemos abancar e petiscar qualquer especialidade vienense ou saborear comida de fusão internacional. Ao longo das ruas que compõem o mercado seguem-se, umas atrás das outras, as mesas apinhadas de turistas, em grande contraste com o ambiente normalmente vivido no tradicional café faustoso austríaco.

Se tivermos tempo de andar a passear descontraidamente pela cidade, este é um local a não perder, pela sua atmosfera emocionante e carregada de simbolismo naquilo que era a vida quotidiana do povo austríaco durante a época imperial.

  • Karlsplatz 

Esta enorme praça, situada nas imediações da Ringstrasse, alberga um conjunto arquitectónico de particular interesse e relevância em Viena.

Grande parte da praça vê-se preenchida com um parque – Resselpark, atravessando o qual damos de caras com a magnificente igreja barroca dedicada a São Carlos Borromeo - Karlskirche, cuja majestosa cúpula azul é um dos seus elementos decorativos mais bonitos, assim como as duas colunas laterais, inspiradas na coluna romana de Traiano, decoradas com baixos-relevos.

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Fachada central da "Karlskirche"

A igreja, mandada construir pelo imperador Carlo VI após outro ataque de peste negra na cidade, é mais um dos grandes símbolos religiosos de Viena.

Pelo preço módico de 4€ para jovens e estudantes, pode ser visitada, com direito a subir no elevador panorâmico. Agora fiquei com pena de não ter entrado na igreja, cujo interior sei que é igualmente esplendoroso, mas na verdade não tinha tempo para tal, pois quando por aqui passei já ia de caminho para a estação Landstrasse, de modo a apanhar o comboio para o aeroporto.

Em redor da praça encontramos belos palácios históricos, como o “Künstlerhaus” (que alberga exposições de arte) e o “Musikverein” (sala de concertos), bem como a Universidade Técnica (TUW) e a sua moderna biblioteca estudantil.

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Fachada central da "Technische Universität Wien"

Duas pequenas joias arquitectónicas da Karlplatz são ainda o pavilhão do metropolitano e o palácio da Secessão - “Wiener Secessionsgebäude”.

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Antiga entrada no metro, obra de Otto Wagner

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Palácio da Secessão, obra de Joseph Maria Olbrich (Fonte)

Já agora, é interessante referir que a Secessão Vienense foi um movimento artístico protestante que surgiu no final do século XIX, liderado pelo famoso pintor simbolista Gustav Klimt após a sua saída da “Künstlerhaus”, isto é, a sociedade tradicional dos artistas austríacos.

  • Belvedere

Sem margem para dúvidas, é uma das atracções por excelência da capital austríaca, praticamente dispensando apresentações.

Maravilhosos jardins à francesa e um orto botânico igualmente valioso, e dois palácios magistrais - é assim que se caracteriza a "Schloss Belvedere", um  verdadeiro castelo em estilo barroco, encomendado pelo princípe Eugénio de Savoia ao grande arquitecto austríaco Johann Lucas von Hildebrandt para servir de sua residência estiva.

Não haja dúvida que é uma das residências principescas mais bonitas de toda a Europa, inclusivamente lista como Património Mundal da Humanidade. Sei-o, porque tive a oportunidade de visitar, assim como diversas outras, não só em Viena, mas também noutras cidades europeias -  lembro-me assim à cabeça dos muitos palácios alemães que também vi – e é de facto uma construção de grandíssimo valor.

Os dois palácios - “Unteres Belvedere” (na zona inferior) e “Oberes Belvederes“ (na zona superior) – veem-se contrapostos por um gigantesco jardim em estilo francês, um dos mais belos que já vi, e são fundamentalmente diferentes na sua arquitectura exterior e nas suas funções originais, mas actualmente albergam ambos exposições de arte.

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Vista do piso superior do "Oberes Belvedere" para o Grand Parterre, avistando-se ao longe o "Unteres Belvedere", sob o pano de fundo da cidade de Viena

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"Oberes Belvedere", visto do jardim sul

O recheio do “Oberes” inclui a maior colecção austríaca desde a Idade Média até aos tempos modernos, assim como o trabalho de alguns artistas internacionais de renome, nomeadamente  Claude Monet, Vincent van Gogh e Max Beckmann. A secção Viena 1880-1914 conta com a maior colecção de Gustav Klimt, destacando-se as icónicas obras da Art Noveau Kiss” e “Judith”, bem como com trabalhos de Egon Schiele e Oskar Kokoschka.

Exposições temporárias de grande calibre têm lugar no “Unteres” e na “Orangery” (antigo jardim de Inverno), com o objectivo de expor a arte austríaca num contexto internacional, em particular o trabalho de artistas que deram forma à cidade durante a "época d'Ouro", assim como o de explorar diferentes movimentos e épocas artísticas.

Obviamente, é uma forte recomendação minha que o interior do Belvedere seja visitado, apesar de ser a entrada no complexo em si, para os jardins, seja gratuita. Pelo preço combinado de 19€ para jovens e estudantes, têm acesso aos dois palácios, e não deixa de valer a pena.

Para mais informações sobre preços de admissão e horários, consultem o sitio oficial, que também dispõe de descrições detalhadas sobre a história do palácio e as principais salas, incluindo a possibilidade de seguir uma “tour virtual” que individualiza todas as obras de arte expostas.

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Fresco do tecto da "Marmorsaal" (Sala de Mármore) no Belvedere Superior, obra de Carlo Carlone

No entanto, a quem não interessa assim tanto a arte, aconselho de ficar a passear pelos jardins, admirando as fachadas dos palácios, que são realmente impressionantes,principalmente a do "Oberes".

Voltando à primeira foto que apresentei do Belvedere, é notória a excepcionalidade do jardim, realçando-se os “jeux d’eau” (“jogos de água”) desenhados por Dominque Gerard (que já tinha trabalhado no Palácio de Versalhes) e várias estátuas de ninfas e deuses.

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Detalhes decorativos no jardim norte

O Belvedere é o local ideal para ver o pôr-do-sol ao final da tarde ou simplesmente dar um passeio, tendo em conta que não deixa de ser um enorme espaço verde onde se respira ar puro, reportando a um ambiente artístico inspirador, imagem de marca da cidade de Viena.

A melhor maneira para aqui chegar é com o eléctrico D, por exemplo apanhando em Kärntner Ring, junto ao Staatsoper.

  • Stadtpark

Trata-se de um enorme parque citadino, um dos mais antigos de Viena, ladeado pelo Parkring no lado oriental do “Innere Stadt”. Com uma extensão de 65 mil metros quadrados, é o sítio perfeito para passeios a pé ou de bicicleta, piqueniques e encontros, sendo efectivamente um dos mais procurados pelos vienenses e pelos turistas.

Disposto em estilo inglês, vê-se dividido ao meio pelo Wienfluss, o rio que atravessa a cidade de Viena e vai confluir no Donaukanal, sendo a pequena ponte um sítio sugestivo para tirar fotografias (desde que as águas estejam subidas, senão não tem graça nenhuma).

Este parque encontra-se perfeitamente localizado, em pleno centro citadino, oferecendo à população da cidade um escape verde a pouca distância dos principais monumentos históricos. Um dos grandes destaques – provavelmente o ponto mais fotografado - vai para o monumento dedicado ao célebre compositor austríaco Johann Strauss.

O melhor de Viena (Pt5) “Johann-Strauss-Denkmal” no Stadpark

Uma das estruturas mais importantes e belas do parque é o "Kursalon Hübner", edíficio construído em estilo italiano renascentista, onde desde o final do século XIX se organizam grandes concertos e bailes. O primeiro concerto foi precisamente o primeiro de Johann Strauss. 

Esta grandiosa sala de espectáculos recebe cerca de 500 concertos por ano, nomeadamente muitos da orquestra "Alt Wien", assim como é local de eleição para casamentos. Para além dos quatro gigantescos salões, conta com um enorme terraço, donde se goza uma bela vista, e o restaurante "Das Johann", que não duvido que seja bastante caro.

Encontramos ainda parque, junto ao rio, a discoteca Staniplatz, um dos locais nocturnos preferidos pelos jovens em Viena.

Termino assim este roteiro turístico por Viena, uma cidade absolutamente notável, que adorei até ao mais ínfimo detalhe. Tem tanto para ver e fazer que foi necessária uma série de textos para cobrir todas as atracções!

O melhor de Viena não são duas ou três coisinhas, são mesmo muitas!


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