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Uma aventura em Odense


No semestre passado, ainda Verão de 2016, fui aceite na University College of Lillebaelt, em Odense (Dinamarca), como estudante ERASMUS. Enquanto os meus amigos aproveitavam a praia e o calor, eu fazia as malas. Carreguei-me com tudo o que considerava essencial. Lembro-me de ter pensado "Caramba, como vou carregada", mas mal sabia eu que voltaria com tanto mais. Fui de um dos países mais quentes, para um dos mais frios da Europa, numa questão de 3h30. 

Cheguei à cidade de Copenhaga, ainda meio perdida e desorientada, e tive que apanhar 2 comboios e um autocarro para chegar àquela que seria a minha casa durante os próximos 6 meses, em Odense. Quando cheguei, deram-me uma chave e disseram "este é o teu quarto". Uma pequena chave que eu achava que abria uma simples porta branca, abriu na realidade muito mais. Quando me pediram para me apresentar, em casa, perguntaram-me o que é que eu esperava desta experiência. Eu respondi "Espero encontrar amizades para a vida, e experimentar o que é ser dinamarquês". Claro que, quando disse que esperava aprender a falar dinamarquês, riram-se na minha cara e disseram "devias ter vindo mais tempo". Devia mesmo. 

Durante os dias que se seguiram, ainda em pleno mês de Agosto e com um sol deslumbrante em Odense, calcei as minhas sapatilhas, levantei coras dinamarquesas e fiz-me à estrada. Armei-me em exploradora e dediquei-me a conhecer uma cidade que parecia guardar segredos a cada esquina. Esta pequena cidade, terra natal do famoso escritor Hans Christian Andersen, é, no sentido mais mágico da palavra, um verdadeiro conto de fadas. Um espaço diferente de todos os outros, com um cheiro tão bom e característico no ar.

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Durante as semanas que se seguiram, novas pessoas de outros países entraram na mesma casa onde eu vivia, que na verdade era uma residência para estudantes internacionais (MELHOR decisão da minha vida). Hoje posso dizer que não há melhor maneira de conhecer uma cidade estrangeira do que conhecê-la com pessoas que nunca a viram antes. Parece contraditório, mas sol na Dinamarca também é estranho e no entanto aconteceu. Conheci pessoas da Dinamarca, Turquia, Holanda, Reino Unido, Tanzania, Lituânia, Croácia, Ucrânia, Finlândia, Noruega, Grécia.. bem, podia passar aqui umas boas horas a continuar esta lista. A minha vida ganhou as cores das bandeiras de cada uma delas.  Aprendi novas maneiras de me apresentar, aprendi a contar em suaíli e em dinamarquês, experimentei novas comidas (algumas muito estranhas) e novas bebidas. Aprendi coreografias que usarei para o resto da minha vida, e conheci-me muito melhor a mim própria. Apaixonei-me por uma cidade que me recebeu como se tivesse sido sempre minha. Uma cidade que vi passar de colorida e quente, a branca e fria numa questão de dias, e que mesmo nas madrugadas mais geladas, confortava-me num abraço quente. Para um país que recebe temperaturas tão abaixo dos 0 graus, a Dinamarca tem as pessoas mais calorosas que já conheci.

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Odense mostrou-se um palco de espectáculos para todos os gostos, e para todos os momentos. Desde festivais de música e de Harry Potter, a competições de conhecimentos gerais todas as quartas à tarde no The Tipsy Toad Pub. Passear naquelas ruas que no fim já eram tão minhas, de saco na mão, cachecol à volta do pescoço e uma alegria que me enchia o coração foi das melhores experiências que já vivi, e faria de tudo para a repetir mais uma vez.

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Nos últimos meses desta minha experiência, várias foram as lágrimas e promessas ditas ao ouvido dos que se despediam. O pior de ir de erasmus é que, pode até custar sair do teu país, mas acredita que, no fim, custa muito mais voltar. E pior do que isso, é veres quem conheceste a voltar. Pouco a pouco, as pessoas que fui conhecendo foram regressando a casa. Numa questão de meses, tive o meu objectivo cumprido: ganhei amigos para a vida. E ganhei estadias gratuitas em casas em vários pontos do Mundo. As despedidas já só se baseavam em "Vejo-te daqui a uns meses", porque nunca nos despedimos mesmo a sério.

Na semana em que o meu regresso a casa estava marcado, toda aquela cidade ganhou um encanto extra que pesava no meu coração e fez-me sofrer de nostalgia antecipada. Fui dizendo "até um dia" aos meus sitios preferidos, aos profissionais que me acompanharam, aos amigos para sempre que conheci (dinamarqueses e estrangeiros) e até ao sabor estranho daquele café que hoje até sinto falta. Malas feitas, tudo pronto, e chegou a hora de voltar. Apanhei um autocarro e dois comboios, como fiz no 1º dia. Trazia o dobro do peso: agora tinha as minhas malas, e toda uma colectânea de memórias boas como bagagem. Regressei a Portugal e fui recebida por familiares e amigos. Espreitei o ecrã que dizia as partidas, ainda no aeroporto, e li "Copenhaga". Sorri, e pensei "Vejo-te daqui a uns tempos, prometo". 

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Viviana Ferreira


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