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Sobre Santiago de Compostela


A Galícia é uma região do noroeste da Espanha, mas não é aquela Espanha que costumamos ver nos filmes e revistas. Não tem touradas, flamenco e sol o ano inteiro. Se busca algo assim, recomendo a Andaluzia, ao sul. Na Galícia, você encontrará gaiteiros, cruzará com peregrinos e talvez enfrentará mais dias chuvosos do que acha que pode aguentar. 

E foi nessa Espanha pouco convencional que vivi por 6 meses, entre janeiro e julho de 2017, estudando Ciência Política e da Administração na Universidade de Santiago de Compostela.

Santiago, aliás, é um dos principais destinos da peregrinação cristã. Muitos acham que a capital galega se resume a isso: peregrinos, religião e bons modos constantes. Ledo engano. Sua universidade foi fundada em 1495, e tem conseguido se manter como um dos principais centros de ensino superior da Espanha. Assim, uma expressiva e vibrante comunidade estudantil vive ali, tanto local quanto estrangeira.

A própria cidade parece ter se moldado para acomodar o típico universitário de recursos escassos. A começar pelo seu custo de vida: desconsiderando luxos e viagens, vive-se bem com 400-500 euros/mês. Encontrar um apartamento para dividir com outros estudantes não é difícil, além de ser uma ótima oportunidade de fazer amigos desembolsando cerca de 200 euros com moradia, apenas. No Gadis, rede de supermercados que domina as cidades galegas, 20 euros fazem o mercado da semana. E o deslocamento também não é difícil: Santiago pode ser percorrida quase toda a pé, e quando o cansaço bate, 1 euro já paga sua passagem na rede de ônibus municipal. 

Sobre a universidade, muitos me disseram que ela já viu dias melhores. Com os cortes promovidos por Madri após a crise econômica, não duvido. Mas não tive o que reclamar da infraestrutura, dos horários das aulas ou dos programas das disciplinas. Pelo contrário, estudar a União Europeia e o sistema político espanhol foi um complemento bem-vindo à minha formação acadêmica. E sendo sincero, dá um certo orgulho em sair pela cidade com o moletom de uma instituição mais antiga que seu próprio país. 

Falando nisso, a idade de Santiago não lhe impede de manter as mais jovens almas despertas até os primeiros raios de sol.  Sua noite pode começar com tapas em um bom bar (Tita e Táboa de Chorima, como sinto falta de suas tortilhas!) ou com o velho "botellón" na casa de um amigo com vizinhos menos temperamentais. Independentemente de como comece, ela vai terminar lá pelas 6 ou 7 da manhã, após pelo menos 3 lugares visitados e muitas horas dançando reggaeton. Se ficássemos na Zona Velha, os favoritos eram Quintana, Bloom ou Sonar. Já na Zona Nova, Apolo e Blaster moravam no nosso coração. Às vezes, fazíamos até as duas na mesma noite, sendo saudados com um "Porta Faxeira, pode pasar" quando atravessávamos a faixa de pedestres do Parque da Alameda. As festas dos estudantes Erasmus também eram imperdíveis, pois com certeza significavam descontos na entrada ou no bar ao longo da noite!

Não que não haja lugares interessantes para ver na cidade durante o dia. A Catedral e suas praças, as Marías, os museus, as ruelas da Zona Velha, os parques erguidos sobre ruínas medievais. Uma das maiores belezas que descobri foi passear sem rumo por Santiago quando a chuva dá lugar ao sol. A pedra nas paredes e calçada ganha um brilho tão característico que poucas coisas podem ser consideradas tão compostelanas. Sem falar nos eventos que ocorrem durante o ano (Entroido, Letras Galegas, Ascención), quando o Parque da Alameda é decorado com o tema da vez e parece que toda a população sai às ruas para comemorar. 

E com o aeroporto mais movimentado da Galícia, Santiago também pode ser a porta de entrada para as diversas belezas das quatro províncias dessa comunidade autônoma. Não há vistas como as do alto da Torre de Hércules, em A Coruña. Ou majestoso como o Atlântico desde o Cabo Finisterre. Ou bucólico como a costa das Rías Baixas quando chove. Ou saboroso como os vinhos da Ribeira Sacra. Ou confortante como as termas de Ourense em um dia de inverno. Não é suficiente? Com um curto voo de Ryanair, o resto da Espanha se abre para você, assim como outros tantos destinos europeus. O Porto está a umas 3 horas de ônibus. Até a África é alcançável, se você se dispor a ir até o sul da península e pegar o barco para o Marrocos. Tédio? Foram 6 meses sem saber o que essa palavra significava. 

Em suma, Santiago me ensinou muitas coisas. A incluir gírias galegas no meu vocabulário. A substituir um "não, obrigado" por um "por que não?". A dançar até literalmente amanhecer. A ser o melhor amigo de alguém que veio do outro lado do mundo com apenas poucas conversas. Aprendi a não ter medo e a tornar-me capaz quando não achava que era. E melhorei um pouquinho o meu currículo também, afinal, ainda viajei para um intercâmbio acadêmico. 

E se você busca um meio de realização igual, sugiro considerar em seu Erasmus esse cantinho chuvoso, celta e gaiteiro no noroeste da Espanha. Parafraseando o cantor compostelano Fredi Leis, a lua realmente brilha como nunca se a observa desde as ruas onde se dança ao som da tuna. 


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