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ErasmusMilano101: Como conhecer novas pessoas?

Publicado por Ana Carolina Helena — há 2 anos

Blogue: Dolce Milano
Etiquetas: Blogue Erasmus Milão, Milão, Itália

Já há uns tempos que não fazia um post deste tipo - ErasmusMilano101 - mas lembrei-me de um tema que pode ser muito interessante e com o qual me tenho debatido desde que cheguei a Milão em Setembro para o meu ano em Erasmus. 

Milão não é um ambiente fácil. O Politecnico é ums faculdade gigante, o que por um lado é bom - já que significa mais pessoas e mais probabilidade de encontrar alguém com quem nos identifiquemos - mas por outro lado também torna tudo demasiado avassalador. Quem não é a pessoa mais "lata" de sempre - como por vezes é o meu caso - pode ter algumas dificuldades em "quebrar o gelo" e criar algumas amizades. 

Eis algumas das coisas que apreendi durantes estes seis meses e que me ajudaram a manter-me fiel a mim mesma e a adptar-me a novas formas de interagir com os outros. Aqui vai: 

1 - O italiano pode ser mesmo uma barreira; 

No Politecnico, fruto das aulas terem sempre duas versões - em inglês e em italiano - cria algumas barreiras iniciais aos estudantes que não falam a língua. Não vou mentir: nem sempre é fácil interagir com os estudantes italianos, logo ao início. 

Como nas turmas de italiano não é suposto falar inglês, é difícil "quebrar o gelo" e falar com os nosso colegas. Sempre que possível tento responder em italiano e geralmente é assim que se gera alguma conversa e simpatia entre todos. 

Uma boa maneira de começar a conversa também pode ser tentar fazer grupos de trabalho com eles, mas nem sempre é fácil sermos nós a meter conversa. Tenho tido muita sorte este semestre - estou a fazer as cadeiras todas em italiano - e apesar de ainda não ter feito nenhum conhecimento, têm sido bastante gentis comigo. 

2 - Os eventos de Erasmus não são de todo de excluir; 

Não me identifico de todo com o típico ambiente Erasmus. Geralmente esta é a forma mais fácil de iniciar conversas mas muito honestamente não é geralmente o local onde se encontram as amizades de uma vida. 

É geralmente um ambiente um tanto teatral, onde toda a gente anda a apalpar terreno, No entanto, existem muitos eventos para além dos nocturnos que provavelmente o ESN da vossa cidade ou faculdade promoverá. 

Por exemplo, no Politecnico di Milano existem dois eventos a que até gosto de ir e que têm bom intuituito. Nada como experimentar uma vez, para ver se faz o nosso género! São eles: Tandem in School e Tandem Night

Tandem in School 

Tandem in School é um projecto criado pelos alunos do ESN e que ocorre de quinze em quinze dias numa das salas da Faculdade.Todas as semanas o tema é diferente, por exemplo, "Gestos Italianos" e o objectivo é ensinar aos alunos internacionais algumas particularidade das cultura italiana. Dura cerca de 1h30/2h mas nem tudo é exposição por parte dos estudantes do ESN, também há momentos de actividades.

Geralmente, os estudantes do ESN costumam fazer uma apresentação breve (no Politecnico é possível escolher entre Italiano e Inglês já que há quem já esteja mais avançado no estudo da língua do que outros) e depois para a actividade final - que visa pôr em prática os conhecimentos adquiridos -ambos os grupos se encontram. 

Vou dar um exemplo, numa das semanas do semestre passado o tema foi efectivamente "Gestos Italianos". A equipa do ESN passou um video muito divertido feito por eles onde cada um mostrava um gesto, explicava o seu significado e o aplicava de forma divertida numa frase. Há sempre muitas coisas a aprender já que não é fácil apanhar o significado só pelo contexto da frase. 

Depois, como exercício, pediram-nos que nos juntássemos em grupo e que criássemos um pequeno teatro onde utilizássemos alguns dos gestos ensinados. Cada grupo tinha de criar uma pequena acção com os gestos que lhe tinham calhado em sorte, sendo uns bem mais difíceis do que outros. Tudo o que eram falas teria também se ser em italiano, mas deveríamos ao máximo tentar comunicar através de gestos já que a ideia era provar que os italianos conseguem comunicar quase sem proferir uma única palavra. 

No fina, cada grupo tem de apresentar o seu trabalho. Para além de muito divertido, é sempre uma maneira de treinar o italiano e de ganhar alguma confiança a fazê-lo em frente a tão grande audiência (chegamos a ser mais de 100). 

No final, há sempre quem se junte para ir jantar fora e tomar um copo. É igualmente uma excelente maneira de iniciar conversa com outros alunos com quem nos tendemos a cruzar durante o dia-a-dia. Para mim, esta é umamaneira informal e didática de aprender e falar com novas pessoas quase todas as semanas. As aulas não são sempre extremamente rigorosas no que diz respeito ao conteúdo, muito menos pretendem substituir um curso de italiano. 

Tandem Night

Esta já é um pouco mais parecida com sair à noite, se bem que o ambiente é o de um jantar/ aperitivo informal. Igualmente de quinze em quinze dias (no Politecnico di Milano costuma ser às Terças -feiras à noite), é escolhido um diferente tema, como no Tandem in School. 

Os temas podem ser muito variados mas visam sempre que as pessoas tenham de interagir fora dos seus grupinhos e zonas de conforto. A Tandem Night acontece-se num pequeno café - o Jet Café - bem perto do pólo Leonardo. Por 4€ é possível comer qualquer coisa - aperitivo - e escolher uma bebida - que geralmente ou é cerveja ou é spritz. Não é um ambiente nada pesado, já que o café é mimoso e tem uma aura familiar. É possível falar no interior, sentado numa das mesinhas alumiadas pelos candeeiros ténues ou no exterior, já que existe uma zona de passeio confortável para que queira apanhar um pouco de ar e conversar (quando o tempo está bom, é mesmo a melhor opção). 

Tal como já disse e semelhante ao Tandem in School, todos os eventos têm um tema específico. Dando um exemplo: numa das Terças-feiras em que participei o tema era: "What does that mean?". O grupo do ESN tinha um baralho de cartas onde existiam algumas palavras em diferentes línguas, cartas essas a que correspondia uma outra com a imagem. As carta foram distribuídas aleatoriamente entre todos os participantes e a nossa tarefa era encontrar a pessoa que tivesse a palavra ou a imagem que fizesse correspondência com a nossa. 

O meu caso nem foi muito difícil, já que me calhou uma imagem de um Churro - de tradição espanhola - e identifiquei automaticamente o que tinha que encontrar. A parte mais divertida, mas também, mais complicada é encontrar a pessoa que faz "par" connosco.

Nessa noite tive muita sorte, pois a rapariga que tinha a palavra que correspondia à minha imagem era muito simpática e a conversa decorreu naturalmente - a segunda parte da tarefa era fazer uma pequena entrevista ao nosso "par" para ganhar prémios no final.  Hoje, meses passados - esta foi uma das primeiras vezes que participei, já em Outibro - continuamos a falar e a dar-nos bem. A minha colega trocou inclusivamente para o apartamento da frente e de vez em quando fazemos uma pausa para tomar chá - algo que ambas apreciamos bastante. 

3 - Pedir ajuda e conselhos pode ser uma boa forma de meter conversa;

Esta é uma maneira subtil de inciar conversa com os colegas em período de aula. O semestre passado já optei por fazer Projecto em Italiano e inicialmente falar com os restantes colegas também não era fácil - na altura tinha ainda menos prática do que tenho agora, portanto a minha confiança para "meter conversa" em italiano era muito baixa ou quase nenhuma. 

Fiquei a trabalhar num grupo com uma outra colega portuguesa e com um rapaz argentino, que também estava em mobilidade. A minha colega portuguesa, que é muito mais despreocupada quanto aos erros que fazia na tentativa de falar inglês, começou - esperta! - por tirar dúvidas sobre os trabalhos com os restantes colegas e foi assim que começámos a falar com muitos deles. 

Os nosso colegas, apesar de não terem a barreira da língua como nós, também não nos conhecem e têm sempre algum receio e a timidez de serem eles a iniciar conversa. No entanto, depois de alguns dias - também ajuda o facto de Laboratorio em Arquitectura durar todo o dia - foi-se gerando alguma empatia. 

Ao fim de uma semanas, começámos a almoçar com eles e a conversa já fluía muito naturalmente. Nunca fui criticada pelo meu italiano, bem pelo contrário - elogiavam sempre imenso os meus avanços e corrigiam de forma delicada os meus erros. Raramente me senti inibida - o que é fundamentalno período de aprendizagem. 

No final do semestre, fomos apresentar o nosso resultado final a uma instituição que se tornou parceira durante o semestre e no fim fomos todos tomar uma Spritz. A conversa já decorria muito facilmente - fiquei muito contente com a minha evolução no italiano. Tenho pena de não continuar na mesma turma este semestre mas como era uma turma de 5ºano, seguirão todos para tese e já temos disciplinas em comum. 

Contudo, foi a prova, que por vezes é só preciso uma boa desculpa para iniciar conversa e "quebrar o gelo" inicial. Nada como tentar! (Outra dica boa é escolher estrategicamente o local em que nos sentamos na sala. No meio do resto da turma é uma boa ideia, apesar de um tanto assustadora, pois vai gerar naturalmente conversa. De nada!)

4 - Fazer um curso fora das aulas ou praticar um desporto; 

Esta aplica-se já que, por exemplo, no Politecnico di Milano existem um sem número de cursos. Passo os meus dias muito fechada no Pólo de Arquitectura, apesar de ter aulas noutro lados. Um curso ou um desporto é sempre uma boa ideia para variar os círculos em que nos mexemos e conhecer novas pessoas, sejam elas outros estudantes Erasmus ou estudantes italianos. 

Este semestre, decidi que o meu horário me permitiria finalmente fazer o curso de italiano do Politecnico. Fui fazer o exame de nível - fiquei colocada num nível já relativamente avançado e fiquei bastante contente - e poucos dias depois o sistema informático da Faculdade informou-me quem seria a minha professora e as salas em que teria aulas. 

As aulas começaram a semana passada e apesar dos meus receios iniciais,encontrei pessoas simpáticas e abertas a trocar impressões sobre a experiência de estudar no estrangeiro. Na minha turma, existem colegas dos mais variados países europeus mas também da América do Sul. Como ainda não tinha livro, juntei-me a outros dois colegas, o que despoletou logo conversa. 

Esta é uma excelente opção para conhecer pessoas focadas que tenham como objectivo comum melhorar o seu italiano. Quem sabe se um dia destes não vamos todos fazer aperitivo depois das aulas - chatice que elas acabam tarde, por volta das 20h. (Para que tenha interesse, este ano o Politecnico oferece por 100€ aulas duas vezes por semana - pode-se escolher entre Segunda e Quarta ou Terça e Quinta -para os mais variados níveis). 

5 - Participar nos grupos das redes sociais para estrangeiros em Milão;

Por último, as redes sociais. Milão é uma cidade enorme onde há pessoas das mais variadas origens e é frequente encontrar grupos nas redes sociais onde as pessoas se "encontram" para tirar dúvidas e partilhar algumas experiências. Basta pesquisar no Facebook por "Foreign Students Milan" ou "Expats in Milan" que várias opções irão aparecer. 

Para que é que estes grupos são úteis? Ajudam a gerar conversa entre as várias pessoas não originárias mas que vivem na cidade. É possível tirar dúvidas sobre questões legais, sobre o estilo de vida, sobre alojamento...enfim, um sem fim, de coisas. É igualmente um arquivo que tem várias informações e em que pode ser interessante passar os olhos para saber um pouco mais sobre a cidade antes de vir. 

É igualmente uma boa rede de apoio. É possível, em muitos deles, vender artigos antes de regressar a casa ou comprar aquilo que precisamos para o nosso período no exterior sem estar a comprar de novo. De momento, por exemplo, estou à procura de uma bicicleta para a Primavera e todos os dias vou lá consultar se há alguma infromação nova ou anúncio que me interesse. 


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