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Capítulo 15 - The beasts

Publicado por Stéfanie Teixeira — um ano atrás

Blogue: Diário de Bordo
Etiquetas: Blogue Erasmus Malmö, Malmö, Suécia

Antes de referir qualquer uma das coisas que visitei há que salientar a primeira vez que saí de Lund para visitar outra cidade. Obviamente foi a de Malmö, não fosse a cidade mais próxima e nessa altura alguém ouviu falar que havia um festival lá.

Foi de improviso, estávamos na primeira semana, mais precisamente no nosso quarto dia, e um grupo de quatro holandeses vem dizer que naquele era o Malmö Festivalen, que basicamente é uma festa anual que acontece por lá.

A questão era que toda a gente tinha qualquer espécie de plano por Lund, nessa altura o que não faltavam eram planos e opções de sítios para onde ir e coisas para fazer.

Nós fomos para casa sem ainda ter decidido muito bem o que iríamos fazer, o que mais nos cativava sendo que recebemos uma mensagem a dizer que íamos passar os próximos cinco meses em Lund e que tudo se repetiria, mas em Malmö o festival não se iria repetir no período em que lá estivéssemos.

Outro fator que não abonava a favor de me dirigir ao festival era o facto de estar a chover, não sabia sequer o carácter da festa em si por isso não sei se estaria à chuva ou não, o impermeável que a minha mãe tencionava mandar-me ainda não tinha chegado.

Fui convencida a ir, a dizerem-me que ia sem dúvida adorar e que tínhamos que viver tudo aquilo que estivesse ao nosso alcance.

Depois de tanta indecisão da nossa parte, os holandeses acabaram por ir num comboio antes do nosso, eu vendo as horas já só reclamava que íamos por pouco tempo e que ia ser uma perda de tempo, basicamente naquele dia era eu a ser apenas eu mesma e a pensar que tudo estava contra aquela ida ao festival.

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Chegadas a Malmö, encontramo-nos com eles e do nada aparecem-nos umas pulseiras rosa-choque a dizer: The beast.

Obviamente aquilo não estava nada estranho. Dizem-nos que era para uma atividade e que como estava prestes a fechar que era gratuito e estavam a dar as pulseiras.

Pulseira colocada, vamos para a fila onde vemos que temos que tirar os casacos e os sapatos, não sei se já disse, mas estava a chover e como se não fosse nada eles queriam ir para uma insuflável.

Acho que não preciso de dizer que são doidos e que eu insisti em dizer que não, que me ia molhar e que estava frio. Todos estavam imensamente entusiasmados com a atividade e eu nem conseguia perceber porquê, mas já estava lá dentro, tinha que ir.

Um percurso de obstáculos, num insuflável que nunca mais acabava, com escalada, contorno de pinos, rastejar por debaixo de uma rede ou ainda avançar ‘muros’, note-se que foi um percurso demorado, o qual está atualmente registado num vídeo com mais de quinze minutos.

Nesse vídeo além dos palavrões de quando uma pessoa caía ou escorregava, ouvem-se risos, bastantes risos de quem se tinha oposto o tempo todo e depois não via uma maneira de acabar melhor aquele dia.

Molhada e em último lugar, cheguei ao fim do percurso, o meu estado estava algo entre o exausta e o bastante feliz. Naquele fim de dia percebi como as ligações de Erasmus se criam apesar de estarmos apenas uns meses juntos. Foi assim que me aproximei daqueles quatro, desde bastante cedo, fazendo uma coisa completamente improvável.

Do nada tínhamos passado um momento que foi deveras inesquecível, com apenas quatro dias de vivência na Suécia.  Mais tarde juntou-se a nós um outro rapaz, um português e decidimos andar pela festa que muito resumidamente era como as típicas festas dos santos de Portugal.

Tínhamos ao dispor barraquinhas com tudo e mais alguma coisa, desde comida, a roupa, gorros, luvas, peluches e aqueles jogos de bancada, em todas as estradas da zona.

Como não podia deixar de ser, ainda passamos pela zona onde a criançada se perde sempre, a zona dos carrosséis.

Não faltavam ainda assim espaços com palcos para dar música às pessoas, decidimos então parar no palco principal e aproveitar para ouvir alguma música sueca, mas não foi de todo algo que desejasse repetir num futuro próximo, a senhora não me cativou.

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(Fonte: http://www.hakimmusic.com/hakim-on-tour-this-summer/)

Andamos até bem tarde da noite por lá, ainda pedimos que nos tirassem uma fotografia, em jeito de recordação futura. Acabamos esta noite, sentados num café a beber ora cerveja ora chocolate quente, dependendo dos gostos, e a conversar. Foi daí que nos começamos verdadeiramente a conhecer e a saber quem éramos.

Ainda que tenha passado muito tempo até que eu aprendesse a pronunciar de forma correta o nome do Sjoerd, a entender a maneira de interagir da Nynke, a adorar ainda mais a Effie, a eleita naquela noite de primeira dama, e a troçar ainda mais do Matthijs, aquele a quem a partir desse dia sempre chamei de presidente, não fosse ele o que decidia tudo e levava a multidão com ele.

Quando chegou a hora da despedida, não ouve um único de nós que não recordasse essa aventura, esse dia em Malmö, a nossa primeira saída de Lund e aquela que foi a nossa primeira, e acho ainda hoje, mais louca saída juntos.

Há uma frase bastante clichê que trouxe comigo a achar que era completamente verdade:

Erasmus não é o semestre da tua vida, mas sim a tua vida num semestre.

Isto é tão verdade que assusta. Vivemos tudo tão intensamente em tão pouco tempo que acabamos por viver tudo aquilo que a vida tem, temos a oportunidade de estar noutro país e por si só leva-nos a viajar para as redondezas, temos a saudade do que fica e temos que lidar com isso, mas tudo vale tanto a pena que passa a ser a nossa vida.

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Tão depressa estamos a dizer que ainda temos cinco meses como do nada estamos a dizer adeus a tanta coisa que marca a nossa vida. Este dia, este festival e sem dúvida que estas pessoas vão sempre ser parte do que foi este Erasmus.


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