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Mega viagem 5º dia

Publicado por Catarina Serrano — um ano atrás

0 Etiquetas: Experiências Erasmus Berlim, Berlim, Alemanha


30/12/17


Levantei-me às 7 da manhã, esperava-me um longo dia pela frente, ainda por cima tinha que andar com a mala atrás enquanto via a cidade, pois só paguei uma noite no hostel e não podia lá deixar a bagagem.
Marquei no mapa a ordem dos locais aos quais iríamos, eram 18 locais, teríamos que andar bem para podermos ver tudo.
Primeiro fomos ao ponto mais distante marcado no mapa, ou seja, o muro de Berlim, nem sequer pude ver o muro todo, pois o tempo estava contado e teria que prosseguir para o próximo local.

Mega viagem 5º dia

Aconteceu algo engraçado quando lá estava a tirar a foto. Apareceu um homem a perguntar se não queria que ele me tirasse uma foto por 15 cêntimos. Era só o que faltava! Eu nem tenho uma fotógrafa privada chamada Carolina que me tira as fotos que eu quiser sem cobrar nada. Mas acho que sim, acho que é boa ideia, vou começar a cobrar a todas as pessoas que me pedem para eu tirar fotos e ia ganhar bem, porque devo ser um íman, visto que todos os dias umas duas ou três pessoas me pedem na rua para eu lhes tirar fotos.
O próximo local a ir foi o lidl, pois já estava a morrer de fome, a frase que mais utilizo em viagens é "tenho fome", a carolina sabe imitar na perfeição. 
Já estava com o estômago alimentado e  no caminho para o próximo ponto turístico encontrámos uma casa de lembranças e claro que tínhamos que levar uma recordação de Berlim, portanto parámos para comprar, mas o dono do estabelecimento era tão antipático, estava a guardar aquilo que tinha comprado na mala e ele já me estava a dizer que eu tinha que sair da porta da loja, porque sem dúvida eu estava a impedir os clientes inexistentes dele de entrarem, aquilo estava às moscas, mas a minha presença ali podia impedir as moscas de conseguirem entrar. 
Andámos pela cidade a ver monumentos e aparece um grupo de pessoas a fingirem-se de mudas, a pedirem dinheiro, o habitual, a diferença desta vez foi que me espetaram os papéis para eu assinar e dar dinheiro na cara, literalmente na minha cara, tive que os empurrar e mais uma vez não comecei a distribuir chapadas, porque pensei na minha câmara fotográfica, ainda se estragava durante o conflito, tenho a dizer que esta câmara me ajuda a ser uma pessoa mais pacífica. 
Na parte da manhã visitámos ainda um museu, "topografia do terror", no local onde foi construído tinha sido a sede dos nazis de Berlim e muitos dos massacres que aconteceram na segunda guerra mundial foram ali planeados. 

Mega viagem 5º dia

A exposição acerca dos nazis parecia ser bastante interessante, só havia um problema. Sempre que começava a ler algum poster com informação aparecia alguém e metia-se à minha frente, literalmente à minha frente, até parecia uma partida, só estava à espera que aparecesse o homem com a câmara a gravar e a dizer que era para os apanhados, mas ele não apareceu. 
Concluindo, metade das coisas não li.
A seguir ao museu decidimos caminhar até ao próximo museu e comer num restaurante que encontrássemos pelo caminho. Quando não nos interessava, apareciam restaurantes em cada esquina, agora que eu precisava e queria comer, não aprecia nada. 
Tivemos que desviar caminho e ir procurar um McDonald's, porque é o mais barato, só que se comer McDonald's mais uma vez eu vomito, não aguento mais, já chega, foram 4 dias seguidos a comer lá. 
Terminada a refeição fomos para o museu seguinte, mais um grátis como devem calcular, vou a tudo o que não se pague. 
Era um museu dedicado à resistência alemã, ou seja, as pessoas que se opuseram de alguma forma ao regime nazi. Foi bastante interessante, as pessoas têm ideia de que todos os alemães participaram naquilo que sucedeu nos anos 30 e 40, mas isso não é verdade, havia muita gente que era contra e muitos deram a vida por permanecerem fiéis às suas crenças. 
Após ver tudo, íamos prosseguir para um outro museu, era um museu dedicado apenas a judeus e não faço ideia do porquê, mas a segurança parecia a de um aeroporto, pois tínhamos que colocar a mala num local para ser vista através de raio-X, tínhamos que passar por um detetor de metais e ainda deixar os nossos pertences e casacos numa sala. 
Antes de irmos tivemos que decidir se valia mesmo a pena ir, porque estava a chover, estava frio, estava escuro, estavam todas as condições adversas que possam imaginar, mas acabamos por ir, visto que era um museu que de certeza iria valer a pena, o pensamento é que museus e exposições acerca de judeus, nazis e o holocausto são sempre boas, por isso tivemos a nossa primeira desilusão. 
Fui com uma expectativa super alta para ver o museu e haviam uns 6 vidros onde podia ver cartas, roupas, mobília de judeus que tinham morrido em campos de concentração, estava à espera de muitas mais coisas acerca deles. Para compensar, haviam umas 4 salas vazias, sem nada e uma sala com triângulos no chão, o que me fascina são as pessoas que ficam paradas a olhar, como se aquilo fosse a coisa mais interessante de sempre. 
Eu sei que há uma explicação, as salas vazias significavam o vazio que foi criado na sociedade alemã quando decidiram exterminar os judeus, os triângulos é que não entendi bem, enfim, era arte. 
O museu fechava às 20 horas, ou seja, faltavam ainda 2 horas para o encerramento, por isso decidimos ficar no café do museu ao quente e a carregar os telemóveis, pois não iríamos ter outra hipótese até chegarmos a Munique. Disse mesmo à Carolina, o que mais valeu a pena neste museu foi colocar os telemóveis à carga, dei 3 euros para isso. 
O museu acabou por fechar e já não iamos a mais nenhum local, pois estávamos estafadas e ainda mais cansadas estávamos devido a andar sempre com a mala atrás. 
O próximo local a ir era a estação de autocarro, só tínhamos autocarro às 23h45min e esperava-nos um caminho a pé de 2 horas, ia morrendo, já só sentia dores nos pés e nas ancas. 
Após 2 horas a caminhar pela cidade de Berlim, chegámos por fim à estação, decidimos jantar por fim. O nosso jantar foi pão com atum e bolachas e estava tudo tão mau. As bolachas pareciam boas, então comprámos, mas não eram, sabiam a rebuçado, eram uma porcaria. Compramos um saco de pão de forma pequeno, para não se estragar, só que ele era mais escuro e tinha sementes, posso dizer que foi o pior pão que já comi na vida. Não tínhamos garfo para meter o atum no pão e como eu sou a rapariga das resoluções, encontrei uma espécie de tubo em cartão no supermercado e trouxe para colocar o atum no pão. Todo o nosso jantar improvisado foi uma catástrofe. 
Estávamos nós à espera do autocarro e aparece um homem, vindo não sei da onde, a falar em alemão para mim, eu disse-lhe que não falava à língua dele, então ele perguntou-me de onde é que eu era e se sabia falar alemão, devia ter algum atraso, porque eu tinha acabado de lhe dizer que não sabia falar alemão. 
Eu não estava a entender porque é que ele estava a falar para mim, até que depois me começa a pedir o número, o Facebook, Instagram,... Porque queria falar comigo. 
Como não consigo ser má pessoalmente com as pessoas, só pela Internet, disse-lhe que usar o meu telefone para chamadas e mensagens ficava muito caro para países estrangeiros, dei-lhe o Instagram para ele se ir embora e me deixar em paz. Deu-me um beijo na cara e foi embora. 
Nem 3 minutos tinham passado e ele volta, mais uma vez a pedir o meu número, já me estava a enervar, já tinha inventado uma desculpa para não dar e ele continuou, voltei a dizer o mesmo que lhe tinha dito da outra vez e ele mais uma vez deu-me um beijo na cara, só que foi o beijo mais nojento de sempre, ele comeu-me a bochecha e deixou-me toda babada, foi nojento e eu não tinha lenços para me limpar, fez-me lembrar os beijos daqueles familiares que já são super idosos, só que o dele foi 4 vezes pior. 
Eu não entendo porque é que me vêem incomodar a mim, depois não consigo ser má e sou sempre simpática para estranhos e este tipo de situações acontece, era tudo evitado se eu tivesse sido logo uma antipática. 
O tempo estava a passar e eu não fazia ideia de em qual terminal era para apanharmos o autocarro e a Carolina pressente quando eu não sei alguma coisa, então começou a meter pressão em mim para eu ir perguntar ou procurar o local, tenho que ser eu, porque ela tem o entrave de não saber inglês. 
Lá fui eu, parecia uma paraplégica que estava a ganhar movimento e a aprender a andar. Não encontrei nada, estava a começar a ficar aflita, esta maldita empresa de autocarros deixa-me sempre assim, até que fui perguntar a um senhor que tinha o casaco com o nome da empresa onde era o local e ele lá me disse, mais uma vez não ficava em terra. 
O autocarro chegou e a viagem para Munique foi tão desconfortável, não consegui dormir, porque não encontrava uma posição confortável. 
No total, caminhámos 30km neste dia. 
Faltavam agora 27 dias para voltar a Portugal.


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